No meio de toda esta confusão, fico feliz por se manter a reunião entre PCP e BE, mas não deixo de lamentar a tentativa de aproximação do BE ao PS.

Pela primeira Imagevez concebo a ideia que esta seja uma altura para, literalmente,nos deixarmos de merdas. Não me choca que o PCP procure entendimentos com o BE. Por mais que as desavenças entre os dois partidos sejam fracturantes, é inegável que no quadro parlamentar português estas são as duas únicas forças de esquerda e “anti-troika”, facto que é, possivelmente, o grande definidor de posicionamento político actual.

Apesar do risco desta posição do BE, pode-se até admitir que acabou por correr bem. Caso restasse alguma dúvida, o PS viu-se forçado a posicionar-se e, como sempre, este posicionamento é inequívoco. O PS é um partido que mais depressa se senta à mesa do banquete do poder, para planear a destruição e divisão dos despojos do Estado Social, do que se assume como alternativa de esquerda. O PS é o partido onde várias vozes se mostram dispostas a “malhar no PCP ou no BE” e outras tantas namoram sem grande pudor o CDS. É o partido que diz que o combate ao PCP “é tão ou mais importante” que o combate à direita. E isto é a face visível do que diz o PS, porque bem mais claro fica o seu posicionamento se analisarmos os seus anos de governação.

Perante isto, parece-me que encontrar posições, discursos ou até acções comuns à esquerda, sem o PS, não é sectarismo. É luta. É a acção natural de quem não está do mesmo lado, de forças políticas que não representam claramente as mesmas franjas da população. Pena que o BE tenha precisado de mais este triste espectáculo para o entender. Se é que o entendeu em definitivo.

Agora, deve ser tempo de avançar. De assumir que há uma alternativa ao caminho que o país leva há décadas e de convencer os eleitores que não, nos últimos 35 anos nunca tivemos em Portugal um governo de esquerda, logo nem todos são culpados, nem são todos iguais. Num país com uma brutal iliteracia política e tendencialmente de direita, não é tarefa fácil. Mas também não pode ser impossível, raios!

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Um tema constante que atravessa toda a crise, começada em 2008 pela queda da Lehman Brothers, é a transferência de riqueza do fundo da pirâmide social para o topo. Já várias vezes analisámos o problema neste blogue, nomeadamente com explicações detalhadas do que é a supressão salarial e de como a austeridade é uma forma de desvia riqueza da classe média e camadas pobres para dar às elites financeiras. Também se mencionou como no esquema actual da zona euro, esta dinâmica ganha uma dimensão transnacional e resulta na Alemanha a absorver a riqueza do resto da europa como se fosse um buraco negro.

O processo de transferência de riqueza tem agora mais uma fase: um dos maiores bancos de investimento do mundo (e que colocou ex-empregados seus nos governos de Itália e Grécia por exemplo), Goldman Sachs, prepara-se agora para tirar partido da crise europeia para se apoderar, ou intermediar na venda, dos colaterais (propriedade ou qualquer outra coisa contra a qual um banho emprestou dinheiro) dos bancos europeus em crise – sobretudo os bancos do sul: Portugal, Espanha, Itália e quem sabe até do “core” europeu. Os bancos precisam de se recapitalizar e diminuir o seu risco de insolvência e para isso vão vender os bens que têm em carteira a preços de pechinha.

A Goldman Sachs (e provavelmente outros como a JP Morgan) estão agora em posição para se apropriar da riqueza europeia. A venda dos bens na posse de bancos europeus à procura de melhorar a solvência está estimada em quase um trilião de euros até 2014 e poderá mesmo chegar aos 2 triliões de euros!

US investment bank Goldman Sachs sees a silver lining in the troubles of Europe’s banks, which may need to sell more than $US2 trillion ($A2.07 trillion) in assets, a top Goldman executive says.

A citação em cima está neste artigo.

Este artigo foi publicado originalmente em commondreams.org

Ideia central: Até 2010 não existia crise de dívida soberana. Esta foi criada para salvar os bancos alemães, franceses, ingleses e belgas da bancarrota através da socialização da dívida (que anteriormente tinham atirado para os mercados de especulação imobiliária no sul da europa).Ver em baixo os números concretos (a negrito).

Bailing out Germany: The Story Behind the European Financial Crisis

Bankia, Spain’s fourth largest bank, asked the government for a €19 billion ($24 billion) bail out on Friday night.  Four Greek banks – Alpha Bank, Bank of Piraeus, Eurobank and National Bank of Greece – were together given €18 billion ($23 billion) from their government last week also.

The sudden economic crash in several southern European countries: Greece, Italy, Portugal and Spain as well as Ireland (sometime called the PIIGS, a rather dubious and perjorative name); is commonly blamed on lazy workers, a bloated social security system and unwise borrowings by greedy governments. This is why lenders like the European Central Bank (ECB) and the International Monetary Fund (IMF) are now asking these governments to cut social spending (austerity measures) and pay ever higher interest rates, despite the fact that only serves to make the situation worse.

“As far as Athens is concerned, I … think about all those people who are trying to escape tax all the time. All these people in Greece who are trying to escape tax,” Christian Lagarde, the French head of the IMF told the Guardian.

In reality, a large chunk of the bailouts are for debts created by private banks in Greece, Ireland, Italy, Portugal and Spain borrowing abroad – for speculative real estate schemes and such like – not by shopkeepers, small entrepreneurs and ordinary citizens. And a surprisingly big chunk of the rash loans were handed out by private (and some public) banks in just four countries: France, Germany, the UK and Belgium (in that order).

Peter Böfinger, an economic advisor to the German government, put his finger on it when he told Der Spiegel last year: “[The bailouts] are first and foremost not about the problem countries but about our own banks, which hold high amounts of credit there.”

Let’s dig a little deeper. First were all the borrowing countries wildly spendthrift? Here are some very instructive numbers: before 2008, the Irish and Spanish governments had borrowed less than Belgium, France, Germany and the UK. The Irish owed owed roughly 25 percent of gross domestic product (GDP) in 2007, the Spaniards owed 36 percent. Meanwhile the Belgians had borrowed 84 percent, the French and German government had taken out 65 percent while the UK was at 44 percent. The Portugese were at about 65 percent – same as the Germans – and Greece and Italy admittedly were at over 100 percent.

The BBC’s Laurence Knight notes “Madrid was in the process of paying its debts off – it earned more in tax revenues than its total spending. In contrast, Berlin regularly broke the maximum annual borrowing level laid down in the Maastricht Treaty of three percent of GDP.” Interestingly, so did France and the UK (the latter isn’t bound by the treaty).

Second, who was lending the money that is now so difficult to pay back? After all it takes two to tango, as they say. Borrowers and lenders share in the risk and the blame.

Well, Bloomberg took a look at statistics from the Bank for International Settlements and worked out that German banks loaned out a staggering $704 billion to Greece, Ireland, Italy, Portugal and Spain before December 2009. Two of Germany’s largest private banks – Commerzbank and Deutsche Bank – together loaned $201 billion to Greece, Ireland, Italy, Portugal and Spain, according to numbers compiled by BusinessInsider. And BNP Paribas and Credit Agricole of France loaned $477 billion to Greece, Ireland, Italy, Portugal and Spain.

How much of these loans were to the government? The Economist has some interesting numbers  – just $36 billion went to the governments of Greece, Portugal and Spain. The rest was loaned out by banks like Munich based Hypo Real Estate that distributed over $104 billion for property schemes.

(For more details the BBC has an excellent graphic tool that shows which country was borrowing from whom: Spain’s biggest creditor is Germany at €131.7 billion ($171.2 billion) and Portugal’s biggest creditor is also Germany €26.6 billion ($34.6 billion). The Greeks owed most to France at €41.4 billion ($53.8 billion).

Finally, who profits out of this? Well, the German banks have since taken their money out: Bloomberg estimates that $590 billion was taken back after December 2009. But the debt remains so that is why the borrowing countries are forced to go to lenders like the ECB which in turn is getting it from the Bundesbank (the German central bank). The German government only has to pay an interest rate of 1.42 percent to borrow money for 10 year bonds, apparently the lowest they have ever paid. (The French are also doing fine at 2.42 percent)

The ECB money comes with strings attached – severe austerity. It is true the borrowing countries don’t have to take these conditional loans, they can also borrow at market rates but this can be very expensive: they have to pay between 5.5 percent (Italy) to an astronomical 30 percent (Greece) in interest for 10 year bonds.

“The euro-zone crisis is often framed as a bailout that rich, responsible countries like Germany have extended to poor, irresponsible countries like Greece,” writes Ezra Klein in the Washington Post.

In reality this crisis is at least partly (perhaps mostly) the fault of the banks in the wealthy countries like France and Germany and it is these banks that have really been bailed out by the ECB and the IMF.

The Indignados in Madrid, Blockupy in Frankfurt and Occupy Wall Street have it right.

A situação na união monetária europeia está a aquecer com o verão. As re-eleições gregas do próximo mês podem trazer como primeiro-ministro, o primeiro politico grego que está disposto a rebentar o balão de aselhices que tem constituído a resposta económica e política à crise sistémica que a união monetária enfrenta.

Neste poste gostaríamos de salientar 2 textos de referência que saíram esta semana na blogosfera internacional, que acompanha os desenvolvimentos da miserável tragédia grega:

  1. Marshall Auerbach dá uma visão política e macroeconómica extramente consisa e clara dos interesses nacionais que têm conduzido a resposta alemã à situação do euro (basicamente imperialismo económico e assegurar um mercado de exportação para os produtos alemães)
  2. Uma análise mais restrita dos possíveis cenários de uma bancarrota grega ou saída do euro, mas que deixa bem claro o papel da troika nesta crise. Por exemplo, mais de 80% dos juros pagos actualmente pela Grécia vão para a nossa amada Troika (ou instituições a ela pertencentes) e 98% (exacto, 98%) dos títulos de dívida a vencer nos próximos 3 anos vão para a nossa amada Troika (ou instituições a ela pertencentes).

Vale a pena ler ambos os artigos.

Links/Fontes

Não, não é uma composição de um qualquer puto da 4ª classe. Foi mesmo um texto de um tipo que, entre outras coisas foi Chefe do Gabinete do Secretário-Geral do Sistema de Informações da República Portuguesa e, mais tarde, Director-Geral do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa… tão só!

Pronto, agora, vou só por som no telemóvel e esperar a chamada do Relvas a avisar-me que ou me calo ou nem ele, nem os amiguinhos dele falam mais comigo no recreio, ou pior, divulga factos da minha privada..

É ver a notícia aqui.