Três factos que chocaram o mundo em 2011

Dos vastos e variados acontecimentos que marcaram indelevelmente o ano de 2011, destaco três: a Jerónimo Martins emigrou para a Holanda, o Barcelona ganhou ao Real Madrid e a Amy Winehouse morreu com uma overdose.

O primeiro critério utilizado para escolher estes três eventos e não outros prende-se, antes de mais, com a mania de usar sempre três exemplos, necessidade provavelmente oriunda dos tempos em que Pedro negou a Jesus três vezes e que continua na moda graças aos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa e à Troika

O segundo critério e o mais óbvio de todos é o da previsibilidade com que estes fatos aconteceram e a capacidade que demonstraram, apesar disso, de “chocar o mundo”.

Vamos do fim para o início:

Apesar da sua manifesta carochice indiciar que um grave acidente lhe pudesse brevemente roubar a vida, Amy Winehouse tentou contrariar o destino e curar-se, conseguindo ficar três semanas sem tocar no mata-bicho. Mas o destino pregou-lhe uma partida e, três garrafas de vodka depois, Amy entrou eternamente na História (e nos nossos corações) por ter conseguido provar, quase cientificamente, que largar o álcool pode levar à morte. O mundo ficou chocado.

O Barcelona vinha de seis vitórias nos últimos sete confrontos contra o Real Madrid. Tem na sua equipa mais de metade da seleção do Estado espanhol campeã europeia e do mundo, a jogar ao lado do melhor jogador do mundo e o treinador mais sexy da história do futebol. Ver o Barcelona jogar tem sido, também para os adversários, só mesmo isso: ver o Barcelona jogar. Sobre o Real Madrid nem sequer falo porque a minha religião não permite, relembro apenas que levaram três em casa. O que importa reter nesta história é que, ainda mais importante do que o mundo ter ficado chocado, José Mourinho achou que teve azar.

Alexandre Soares Santos é um porco capitalista igual a outro qualquer e a Jerónimo Martins é uma empresa igual a outra qualquer. Antes de entrar o ano em que “a crise” vai afectar absurdamente o consumo interno no país, para surpresa geral, emigrou o seu capital para a Holanda. Esta operação é perfeitamente legal e não, o Pingo Doce não vai começar a vender erva. Das vinte empresas cotadas na bolsa de valores de Lisboa, dezoito já lá moravam, apesar de muitas delas terem participação do Estado. O Estado foge aos seus próprios impostos transferindo o seu capital para a Holanda e não, ainda não começaram a vender erva nas repartições de Finanças. Portugal ficou chocado a ponto de o CDS/PP, partido que nunca defendeu a liberalização dos mercados, sugerir o boicote ao Pingo Doce. Talvez fosse boa ideia boicotarmos a Galp, a Cimpor, a EDP ou a PT. Ou simplesmente boicotarmos a direita quando fôssemos votar. Mas isso é só uma ideia maluca e radical porque não sabia muito bem como acabar o artigo.

Alex Gomes

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