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Monthly Archives: Fevereiro 2012

A Alemanha manda técnicos do fisco para a Grécia

A Alemanha está mesmo preocupada que os Gregos não se portem bem. É importantíssimo que a Grécia funcione porque é a correia de transmissão para garantir a solvência do sector banqueiro franco-germânico. Vejamos: O governo alemão não pode dar abertamente dinheiro aos bancos  (credibilidade económica e política em conjunto com obstáculos legais). Dá então o dinheiro à Grécia, que, por sua vez, o transfere para o dito banco alemão. O que recebem os gregos em troca? Insultos, opóbrios e humilhação de serem “preguiçosos”, “incompetentes”, etc. Nem sequer têm direito a uma comissãozita. Se fosse um “grupo informal” a fazer esta circulação e ocultação da origem do dinheiro chamar-se-ia crime organizado e lavagem de dinheiro. Mas é o sacrosanto Governo alemão, com o seu bobo de corte, o presidente francês, em nome de Deus todo poderoso – o colectivo banqueiro europeu.

Since the European colonial state of southern Bavaria Sachs (formerly known as the insolvent Hellenic Republic) no longer even pretends to be anything less than a pass-thru funding colony of its creditors, said creditors (European banks and various insurance companies) are about to send out the first group of colonial scouts in the form of German tax collectors.

Fonte/Link Zero Hedge

E reparta-se o mal pelas aldeias (vídeo 10 min)

Como aqueles gregos preguiçosos não merecem a nossa confiança, ou melhor dito, o buraco de solvência nos bancos franco-germânicos é de tal maneira gigantesco, a estratégia de ataque à crise contém também a dimensão, aqui salientada ontem, de imprimir dinheiro de monopólio para os banqueiros continuarem o seu samba das auto-indulgências. A criação de dinheiro através do programa de liquidez do BCE, chamado LTRO (informalmente Cash-for-Trash), poderá inflacionar os preços de bens e valores mobiliários e imobiliários por TODA a Europa (preço das casas, por exemplo, como também salientámos aqui ontem no mesmo post), podendo resultar numa catastrófica explosão de mais uma “borbulha” de especulação. Não nos esqueçamos que esta crise veio ao mundo em 2007/8, com as hipotecas sem garantia (subprime mortgage crisis) nos Estados Unidos da América. O vídeo em baixo dá uma explicação notável do status quo e clarifica a posição de cada peça no xadrez do euro.

Fonte/Link Zero Hedge

Dar aos ricos e tirar aos pobres

O excelentíssimo presidente do BCE, Mario Draghi, sabe que lado desta guerra financeiera escolher. Não só é o responsável pelo esquema de liquidez Cash-for-Trash (LTRO) que vai permitir ao sector bancário lucros astronómicos ao mesmo tempo que socializa os custos da crise para o povão, mas ainda tem o descaramente de dizer publicamente que não há dinheiro para suportar os serviços públicos europeus. O homem que tem na sua secretária o botão para imprimir 1 trilião de euros para salvar os seus compinchas banqueiros dos investimentos de treta que andaram a fazer nas últimas 2 décadas!  Um verdadeiro Robim dos Bosques ao contrário.

He said Europe’s vaunted social model—which places a premium on job security and generous safety nets—is “already gone (…)”. Can he really not see what happened in Ireland and Latvia, and what is taking place in Greece? Did he somehow not notice that Greece falls short of its growth targets every time the screws are turned tighter? This is like watching a medieval doctor apply more leeches to a patient that has already passed out from blood loss. There is no prosperity happy ending in this story, save for a very few at the top. And the process is not “belt tightening” but open warfare on basic social structures.

Fonte/Link Naked Capitalism

Discussão alargadada (15 min) sobre a REAL situação económica na Grécia

Fonte/Link RT

Catrapum!

Catrapum!

Recapitulando – A zona euro vive em crise sistémica

Este belo artigo, um resumo actualizado da crise na zona euro, põe em destaque a natureza de classe subjacente às políticas económicas que estão a acentuar a crise. Usando a fábula da cigarra e da formiga, o artigo mostra que o custo e sofrimento da crise estão a ser postos nos ombros da classe trabalhadora, enquanto a cigarra colhe os lucros. Esta perspectiva refina a interpretação de imperialismo germânico sobre a Europa para um imperialismo de classe, em que a elite alemã co-opta as lideranças do sul para explorar os trabalhadores PIIGS e alemães (o que é verdade, porque não nos esqueçamos que a Alemanha já tem 10 anos de supressão de salários, que está na origem da clivagem de produtividade na zona euro).

A um nível de políticas, o artigo salienta o discurso oficial de contrair à força as economias do sul (em teoria para corrigir, de forma brutal e injusta – diga-se! -, as clivagens de produtividade), em contraste com as acções mais ou menos disfarçadas do BCE, que anda a imprimir dinheiro como se fossem brochuras de publicidade à pizeria da esquina de forma a salvar os principais bancos europeus que estão insolventes. É claro que este género de acção visa fazer os miseráveis pagar a crise e salvar os ricalhaços dos erros que cometeram.

As with all of the “rescue plans” introduced thus far, the latest does not allow the Greek government to help its people cushion the blow from 5 years of depression, but simply provides a mechanism to bail out banks and bondholders.

Fonte/Link New Economic Perspectives
 

Explicação monetária da crise na zona euro

Uma explicação concisa e inteligível dos mecanismos monetários por trás da crise e de como os resgates efectuados até agora tendem a piorar a crise e não a resolvê-la.

Now, this is always the case for national governments because a shrinking economy means shrinking tax revenue. Moreover, in the case of governments with automatic stabilisers to pay for, outlays are also increasing. So a worsening of the government’s budget is automatic in a recession. As currency users, the euro zone’s national governments must also be worried about insolvency as we now see. They too must act pro-cyclically then. Procyclicality is one of the structural flaws of the euro zone; there is no federal agent to add any net financial assets counter cyclically during a recession. Thus, the euro zone business cycle will always have to be more volatile as every economic agent must act pro-cyclically. That makes current account imbalances a lightening rod for intra-European recrimination.

 Fonte/Link Credit Writedowns 

Tic-Tac a norte

Pode ser que em breve o discurso dos mediterrânicos preguiçosos rebente na cara dos puros e inocentes líderes do norte. Há sinais de que uma enorme bolha imobiliária está a desenvolver-se nos países europeus até agora (aparentemente) imunes à crise, nomeadamente Reino Unido, França, Alemanha, Suíça, Bélgica, Holanda, Áustria e Escandinávia.

Could Sweden or Finland be the scene of the next European financial crisis? It is actually far likelier than most people realize. While the world has been laser-focused on the woes of the heavily-indebted PIIGS nations for the last couple of years, property markets in Northern and Western European countries have been bubbling up to dizzying new heights in a repeat performance of the very property bubbles that caused the global financial crisis in the first place. Nordic and Western European countries such as Norway and Switzerland have attracted strong investment inflows due to their perceived economic safe-haven statuses, serving to further inflate these countries’ preexisting property bubbles that had expanded from the mid-1990s until 2008. With their overheated economies and ballooning property bubbles, today’s safe-haven European countries may very well be tomorrow’s Greeces and Italys.

Fonte/Link The BubbleBubble
 

A “intelectualização” da crise

Finalmente, sinais de vida do sector académico de esquerda (ou ligeiramente de esquerda). Um grupo de académicos mais ou menos conhecidos a nível europeu subscreveram uma carta aberta contra as políticas de resgate e austeridade ensaiadas na Grécia. Salientam, precisamente, que a Grécia (Portugal, Irlanda) são apenas o começo. Depois de testado, o austeritarismo será provavelmente expandido ao resto da Europa, sob a bandeira da União Europeia.

The goal is not about “saving” Greece. All economists worthy of this name agree on this point. It’s about gaining time in order to save the creditors at the same time it leads the country into deferred collapse. Above all it’s about making a laboratory of social change out of Greece that, in a second generation, will spread throughout all of Europe. The model experimented upon Greece is one where public social services, schools, hospitals, and dispensaries fall into ruin, where health becomes the privilege of the rich, and where vulnerable populations are doomed to a programmed elimination while those who work are condemned to the most extreme conditions of impoverishment and precarity. (…) In short, it is the widespread looting, characteristic of financial capitalism which here offers itself a really beautiful institutional consecration. To the extent that sellers and buyers sit on the same side of the table, we have no doubt that this enterprise of privatization is a real treat for the buyers.

Fonte/Link European Graduate School (Alain Badiou)

Estamos a ser governados pela Fé. A fé de que eventualmente um dia há-de chover, a fé de que é possível arranjar emprego. Como homem de pouca fé irei dedicar-me a trazer alguma razão à participação do consultor-deputado Duarte Marques no debate sobre o desemprego jovem.

Há pouco tempo, o consultor tinha dito que “o país empobreceu demasiado durante muitos anos” e “não criou oportunidades” para os jovens. E apelava: “Ou essa gente fica cá, à conta do subsídio de desemprego, ou arrisca e vai lá para fora e volta”.

Se o consultor alguma vez tivesse tido que procurar um único emprego que fosse ao longo da sua vida, por mais fé que tivesse, saberia que o subsídio de desemprego não abrange cerca de meio milhão de desempregados. Saberia que não abrange aqueles que não conseguiram estar empregados por 450 dias nos últimos dois anos. Saberia que este requisito é particularmente difícil entre jovens, muito devido às alterações das leis laborais (PS-PSD-CDS/PP) que facilitaram os despedimentos e banalizaram os contratos a prazo e os falsos recibos verdes. De facto, o país não criou oportunidades e empobreceu demasiado durante muitos anos, mas há que agradecer ao partido do consultor contributos decisivos nestas matérias da fé.

Como o consultor também não conseguiu manter o único emprego que teve em Portugal – como assessor de Nuno Morais Sarmento – provavelmente durante uma crise de fé, em coerência com aquilo que defende resolveu emigrar. Desta feita para Chefe de Gabinete do Grupo Parlamentar do Partido Social Democrata no Parlamento Europeu, em Bruxelas. É preciso ter sorte. Para nosso azar, ele voltou.

Diz-nos agora o consultor que 35 medidas serão propostas pela JSD (ainda não apresentadas) para combater o desemprego jovem. O destaque vai para uma versão portuguesa do contrato do primeiro emprego, que o consultor chama de “contrato de confiança”. É prometido “menos garantias” e “mais desafios”. Sarkozy tentou o mesmo em França e não correu bem, tenho fé que em Portugal aconteça o mesmo. Segundo o consultor, estas medidas irão “ajudar a aliviar” o problema do desemprego jovem (35% até aos 25 anos) e que “é preciso que todos remem para o mesmo lado e tenhamos alguma sorte”. “Sobretudo é uma questão de fé e de acreditar que é possível”.

Admito que o remo nunca foi o meu desporto favorito. Mesmo que fosse, teria alguma dificuldade em remar para o mesmo lado que o patrão que enriquece às custas do meu trabalho. No entanto, desconfio que o consultor não tenha um pingo de fé naquilo que diz. Ele sabe que foi preciso fazer  muita militância na JSD para poder chegar aonde chegou. E que a sorte não teve nada a ver com isso, mas sim o lambe-cuzismo político das pessoas certas. Uma coisa acompanhou-o desde que o conheci: Teve sempre fé e acreditou que era possível chegar aonde chegou. Aliás, tenho mesmo fé que ele acredita que é possível chegar ainda mais longe.

Cabe-nos a nós impedir que hajam políticos que passem uma vida inteira a viver única e exclusivamente da política. Nisto eu tenho fé e acredito que seja possível, talvez com alguma sorte e uma pitada de participação política de todos nós.

PS(D): As 35 medidas que a JSD irá propor enquadram-se no contexto de uma verba da Comissão Europeia de 3 mil milhões de euros para combater o desemprego jovem nos países mais afectados. Hajam alternativas para que este fundo não siga o mesmo exemplo que o governo do partido do consultor, liderado na altura por Cavaco Silva, seguiu.

Sobre o conflito geracional que o consultor tanto tem defendido, parece-me que ficou aqui tudo dito pela Ana Drago:

http://www.youtube.com/watch?v=tYzQdsJtKOQ

Fontes:

http://p3.publico.pt/actualidade/politica/2332/ou-ficas-ca-conta-do-subsidio-ou-arriscas-e-vais-quotla-para-foraquot

http://p3.publico.pt/actualidade/politica/2330/lider-da-jsd-diz-que-combate-ao-desemprego-e-questao-de-fe

http://macao.blogs.sapo.pt/123531.html

http://www.parlamento.pt/DeputadoGP/Paginas/Biografia.aspx?BID=4170

Violação & Pilhagem.

Hierarquia Político-economica

Hierarquia Político-economica

Só para o caso de haver ainda almas ingénuas acerca da natureza desta crise económica de 2008 até agora (e sabe-se lá quando acabará), pois veja-se que nos termos do segundo pacote de resgate, não só os gregos vão ser metaforicamente violados à bruta com austeridade, mas também serão literalmente pilhados. Os credores gregos (em resumo, bancos alemães,  franceses e o BCE) vão ter o direito de se apropriar das reservas de ouro gregas caso o país não consiga pagar a sua dívida, que é o mais provável.

Tendo em conta que a Grécia é a cobaia das políticas de crise economico-financeira na União Europeia e do seu instrumento de opressão colonial, o euro, será de esperar que a máfia banqueira tente de uma forma ou outra aplicar o mesmo tipo de remédio aos restantes países periféricos, vulgo PIIGS.

Os PIIGS têm em conjunto 3234 toneladas de ouro, que a preços actuais, valem 185 biliões de euros. 185 biliões para pilhar aos povos mediterrânicos. Isto faz-me lembrar quando as hordes germânicas invadiram e saquearam Roma.  Mas agora a uma escala continental e as hordes bárbaras nem se podem defender dizendo que estão a resistir ao imperialismo romano.

Revolução armada já! Como cidadão PIIGS, sinto-me violado e pilhado pela aliança germano-gaulêsa. Vivemos num regime que já ultrapassou a classificação de liberal e até neoliberal. Nós, no sul, vivemos num neofeudalismo em que a população está posta em servidão. Somos servos-da-gleba, porque tentem emigrar para o centro deste império devorador e vejam como são tratados. Na escala social da europa dita civilizada temos os emigrantes e, depois, acima deles  estão os cães de estimação das loiríssimas e bonitas famílias alemãs. O incentivo social é  ficar para trás e viver em miséria, enquanto os senhores do feudo, os banqueiros, governam os nossos destinos e roubam a nossa riqueza a partir de Frankfurt, Paris e Londres.

Veja-se aqui a tabela com as quantidades de ouro a pilhar, por país:

Ouro para pilhar

Ouro para pilhar

E os alemães já assinalaram o seu interesse no ouro português. Meus amigos, olhem para a Grécia. É para aí que vamos!

Norbert Barthle, Germany’s governing coalition budget speaker and his counterpart Carsten Schneider from the Social Democrats, the biggest opposition party, urged Portugal to consider selling some of its gold reserves to ease its debt problems. They called for a review of Portugal’s request for financial aid to include gold and other potential asset sales.

 E para acabar uma nota sobre a imprensa nacional e internacional. Nenhum “mainstream media” está a noticiar este facto. Liberdade de expressão? Ilusão! Imprensa crítica? Inexistente!

Fonte/Link Zero Hedge & FXStreet
Inferno da Troika

Inferno da Troika

O baile continua na Grécia…

Como já salientamos na Farpa:

The objective of 120% for Greek debt in GDP is totally unrealistic, not only because it won’t be attained (it won’t), but because even if it were the country would still be in an unsustainable situation in  2020. So this is hardly something to be proud of, or look forward to. (…) At the end of the day the Greek bailout is not for the Greeks at all. Certainly they will see very little of the money, and there will be none whatsoever to help restart their withering economy. The Greek bailout is to protect the rest. It is a vain attempt to let Greece go its course (or even die) while preventing the contagious smell from reaching Spain or Italy. The only real creditors now are the official sector. This is not a bailout, it is a “cordon sanitaire”.

Fonte/Link Economonitor
 

… E em breve chegará a Portugal!

With Greece increasingly doomed, the real significance of the negotiations is that they provide a template for future European sovereign restructurings. No one buys the oft-stated European leaders’ position that Greece’s position is unique or exceptional. Portugal is first in the line of fire, with the Irish, Spanish and Italians watching anxiously. (…) The 120% level is largely meaningless, being a political construct designed to avoid drawing unwelcome attention to Italy whose debt levels are around this level. (…) The entire trajectory of discussions, plans and negotiations largely ignores Greece. There is no longer any pretence of “assisting” Greece. It is about ensuring that German and French banks minimise their losses.

Fonte/Link Naked Capitalism

Mas nem tudo vai bem no feudo teutónico.

Será que os Alemães vão sofrer as consequencias de uma bolha no sector imobiliário?

The irony inherent in a monetary union: even if bubbles become clearly visible in certain countries, such as Germany or Denmark, their central banks are condemned to sit on the sidelines because they cannot set interest rates. Meanwhile, the ECB is flooding the market with cheap money to keep parts of the Eurozone and some large banks from imploding. In doing so, it is inflating bubbles in other parts of the Eurozone. Which comes with a steep cost: when housing bubbles blow up, the damage they leave behind is immense.

Fonte/Link Naked Capitalism

Aumento da competitividade?

Estudo comparado da competitividade (exportações) de Portugal e Irlanda versus Letónia e Grécia. No caso de Portugal e Irlanda as exportações estão a aumentar, enquanto que na Letónia e Grécia estão em queda livre. A hipótese é que Portugal e Irlanda beneficiaram até agora de um crescimento geral do comércio internacional (e não tanto que a austeridade esteja a resultar). Quanto tempo vai durar esta circunstância positiva? Se as exportações portuguesas caírem a miséria será ainda maior.

Exportações Portugueses

Exportações Portugueses

Fonte/Link Economonitor
 

Salários negativos (isto é: pagar para trabalhar)

Há uns dias anúnciamos aqui que na India planeia-se treinar macacos para apanhar cocos, em vez de pagar salários decentes a quem o fazia antes. Pois agora na Grécia, os trabalhadores do sector público vão pagar para trabalhar. Devido a cortes retroactivos, os ditos trabalhadores, 64 mil deles, vão trabalhar sem salário ou até trabalhar sem salário e ainda ter que devolver mais dinheiro. Isto equivale a atravessar a barreira do som no que diz respeito a direitos dos trabalhadores.

Gostaria de chamar atenção dos nossos leitores para o fenómeno dos estágios não renumerados, que constitui já um fenómeno de grande importância na supressão de salários no sentido em que 1)  os estagiários não recebem, 2) pagam para trabalhar (custos de transporte, etc) e 3) frequentemente desempenham funções que correspondem a um emprego a tempo inteiro. Quem estiver interessado no tópico, aconselhamos a leitura de Intern Nation: How to Earn Nothing and Learn Little in the Brave New Economy de Ross Perlin.

Intern Nation is the first exposé of the exploitative world of internships. In this witty, astonishing, and serious investigative work, Ross Perlin profiles fellow interns, talks to academics and professionals about what unleashed this phenomenon, and explains why the intern boom is perverting workplace practices around the world.

Fonte/Link Zero Hedge
 

Fuga do planeta dos euromacacos

Absurdo.

A supressão de salários e dos direitos do trabalhador chegaram a tal ponto que, na Índia, querem treinar macacos para substituir os apanhadores de coco, porque os ditos trabalhadores se recusam a arriscar a vida por uma jorna de miséria.

Fonte/Link The Telegraph

Fantasias.

Análise engraçada à cobertura que a imprensa faz do caso grego e como o discurso predominante tende a mistificar, em vez de clarificar, o que realmente se passa.

Fonte/Link Zero Hedge

Mitos de legitimidade

Em poucos parágrafos desmontam-se alguns dos mitos que visam legitimar a acumulação excessiva de riqueza. Nomeadamente, a meritocracia, o “self-made man” e os mercados livres.

Fonte/Link Pink Scare

Resgate Grego, versão 2.

Uma anedota baseada em projecções irrealistas e tão eficaz que a dívida Grega vai ser 160% do PIB em 2020 (mesmo usando os cenários optimistas que estão no novo acordo) e as quantias finais do resgate total a aproximarem-se a 3 vezes do PIB grego. Em notícias paralelas, tanto a Alemanha como a Grécia se estão a preparar para a falência técnica e possível saída do euro.

Fonte/Link Zero Hedge – Artigo 1 e Artigo 2

Ponto de ordem à mesa sobre a crise europeia.

“Europe leaders continue to improvise with sh0rt-term measures, while Europe — especially the PIIGS – grow weaker.  Each passing month reduces their ability to avoid a crash.  The devotion of Europe’s leaders — both in the North and South – to the unification project exceeds my expectations, but no longer appears rational.  Perhaps they do not see the cost in broken lives.  Perhaps they do, but do not care.  Perhaps they value the shining dream of a future Europe more than blasted lives of proles. Collateral damage.”

Fonte/Link Economonitor

Fuga ao centro

Os partidos do rotativismo na Grécia estão em queda livre. Esperemos que o mesmo aconteça em Portugal!

Fonte/Link Economonitor

A crise é um polvo.

Até os checos, com o seu complexo de superioridade pós-comunista, vão sofrer. “It is curious that the country which arguably has one of the strongest in the region was the first to slide back into contraction.”

Fonte/Link Economonitor

Evolução de desigualdade económica em gráficos e a super elite político-financeira

Usando dados do fisco americano, os gráficos em baixo mostram como a riqueza, desde os anos 70, se concentrou no topo e que a percentagem do rendimento nacional americano distribuído através de salários diminuiu consideravelmente em favor de ganhos de natureza financeira (nos EUA).

Evolução dos rendimentos por escalão de IRS

Distribuição de mais valias de investimentos financeiros

Estas duas tendências sobrepoêm-se e mostram como o sector financeiro da economia redistribui uma quantidade desproporcional de dinheiro a uma minoria (ou elite) que, trabalha no, e manipula, o dito sector.

Isto demonstra a dimensão de classe na crise que temos hoje em dia e que, não sejamos ingénuos, a austeridade não é uma solução tecnocrática, mas sim um projecto político de conquista de mais poder e dinheiro. E, coincidência!, alguns dos nomes chave destes anos de crise, pessoas com responsabilidades políticas, são ex-banqueiros (muitos deles da Goldman Sachs):

Ex-Banqueiros em Posições de Responsabilidade Política

 A situação é semelhante nos EUA, com os grandes instituições financeiras a patrocinar os candidatos presidenciais americanos com doações astronómicas. O Obama, por exemplo, é generosamente patrocinado pelo sector legal, dos lobbies e alta finança, que somam metade de todas as contribuições da campanha! Há detalhes extensos acerca das campanhas de cada candidato no website OpenSecrets.org.

Eis que vemos então uma completa monopolização do sistema político e das instituições de representação democratica, através do financiamento partidário e das “revolving doors, onde as mesmas pessoas circulam entre posições de governo e altos cargos em empresas privadas – geralmente do sector financeiro, ou, na Europa, empresas ligadas ao sector energético e de serviços públicos. Veja-se o Gerhard Schröder, ex-chanceler alemão, que trabalha hoje em dia para a russa Gazprom (é membro do conselho de administração do gasoduto Nordstream que traz gás da sibéria para a Alemanha através do mar báltico, sem atravessar nenhum país terceiro). Antes disso, Schröder era “gestor global” do banco de investimento Rothschild.

Outro exemplo mais próximo de nós: o Teixeira dos Santos, herói das negociações com a Troika, era o presidente da bolsa de valores de Lisboa antes de entrar no governo de Sócrates. Do lado do PSD, a acompanhar as Troikices, estava o Catroga, que detém ou deteve um sem número de cargos em empresas enormes, incluindo a EDP, o banco Finantia, Nutrinveste e Quimigal. Mais coincidências! Nunca calha um destes senhores ser, sei lá, um mero professor por exemplo!

Os 99% somos nós e claramente temos muito pouco a dizer sobre o que se passa no nosso país e na Europa. As nossas instituições democráticas foram esvaziadas de conteúdo (se alguma vez o tiveram) e estamos a mercê de uma autocracia financeira, nacional e internacional, que usa as tais financial weapons of mass destruction.

Fonte/Link Political Affairs & The Independent