Aufwiedersehen, Portugal!

A verdadeira situação em que Portugal está (As Greece Crashes And Burns, Troika Arrives In Portugal With “Soothing Words Of Support”)

Artigo essencial sobre a situação portuguesa, um tipo de análise que certamente não se fala na imprensa  (porque a imprensa em Portugal é absolutamente medíocre). O autor mostra como estamos susceptíveis aos acontecimentos na Grécia: qualquer falência grega levará “os mercados” a esperar uma situação semelhante em Portugal. Contudo, o autor explica porque razão a reestruturação da dívida portuguesa pode vir a ser um pesadelo legislativo e talvez mesmo impossível (eu acrescentaria: sem uma revolta armada) dado os termos legais na definição do âmbito do primeiro resgate e do tipo de protecção legal dada aos bond-holders, assegurada por tribunais ingleses! As consequências mais imediatas são que Portugal não conseguirá renegociar o pacote de ajuda nos moldes gregos (uma falência parcial com mais um envelope financeiro) e uma outra qualquer solução terá que ser inventada pela Troika.

Ou seja, Portugal está no limbo. É politicamente sensível deixar Portugal cair (estando a Alemanha a preparar terreno para usar o argumento de que a Grécia foi uma excepção), mas não parecem haver outras opções na mesa. Pessoalmente, e dadas as experiências passadas do FMI e da Troika, creio que a solução vai ser sorrir e administrar ainda mais austeridade, que acentuará a espiral descendente da economia portuguesa, agravará o problema da dívida e basicamente aumentará os níveis gerais de pobreza e desemprego. A atitude do “vamos ignorar o problema” até que tenhamos uma “clusterfuck” (perdoem o americanismo). No meio disto tudo, há ainda a Espanha, mais um elemento imprevisível desta narrativa épica de como destruir sequencialmente vários países europeus. Este ano de 2012 vai ser interessante de seguir.

Fonte/Link Zero Hedge
 

Portugal e Grécia, gémeos da dívida!

Mais uma vez, alguém a explicar claramente os fundamentos económicos para o falhanço da austeridade (como já salientámos repetidamente na Farpa). E mais uma vez, a única conclusão é que a austeridade é um projecto político de dominação da elite sobre a maioria, e também um projecto de dominação do centro imperial (Alemanha, França e Reino Unido) sobre a periferia colonizada. A dinâmica é assegurada através da cooptação de elites políticas e económicas que se conglomeram em instituições financeiras internacionais (bancos, firmas de corretagem – ex: JPMorgan – empresas de auditoria e contabilidade, empresas de ratings, etc).

The reality has turned out to be quite a bit different. Instead of reduced debt loads, we are witnessing higher government debt burdens as the reduced economic output from cutting government is met with cuts in the private sector. If Europe continues on this path, the euro zone will break apart entirely with unpredictable political and economic repercussions. (…) The bottom line is this: Europe is fixated on the wrong problem, budget deficits. The bigger problem in most of Europe is private indebtedness and financial sector leverage.

Fonte/Link New York Times
 

Documentário “Catastroika”

Pequeno excerto de uma entrevista com Naomi Klein, autora de The Shock Doctrine – the rise of disaster capitalism, contextualizando a política intervencionista de austeridade com a acção do FMI nos últimos 40 anos e a sua inspiração nos mercados livres promovidos pela Chicago School e o seu ideólogo Milton Freedman.

Fonte/Link Greek Left Review

O impacto corrosivo da austeridade na sociedade grega

Fonte/Link The Real News Network

Noam Chomsky: resumo do imperialismo americano 1945 – …

Noam Chomsky faz um resumo brilhante das políticas de império americanas que contribuíram para o mundo como o conhecemos: apoio a regimes autocráticos dispostos colaborar com a máquina económica americana, supressão de movimentos verdadeiramente democráticos, financialização da economia, e projectos ideológicos elitistas e de concentração de riqueza (neoconservatism e neoliberalism). Caso hajam interessados neste tópico, recomendo vivamente a leitura de The Liberal Defense of Murder, de Richard Seymour.

Fonte/Link The Guardian
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