A tal da macroeconomia

A experiência Grega como um teste de laboratório

No vídeo ao fundo deste post, Michael Hudson discute que a austeridade suportada pela Alemanha é uma experiência de economia política a nível europeu para reprimir e contrair o custo do trabalho e privatizar bens públicos, no que constitui um assalto às camadas da população que vivem de um salário e aos bens públicos na posse do Estado. Para quê? Criar mercados monopolistas na prestação de bens e serviços públicos, com os respectivos lucros astronómicos, e espremer os custos salariais de forma a aumentar as margens de lucro. Esta experiência já foi feita, no início dos 2000, na Alemanha. Foi precisamente a supressão salarial alemã que criou os desequilíbrios macroeconómicos na zona euro, como se pode ver neste gráfico:

Evolução dos custos unitários do trabalho

O que se passa na Grécia é uma extensão radicalizada da experiência alemã ao resto da Europa e representa uma tendência mundial de suprimir o lado da procura (os “trabalhores/consumidores”) a favor do lado da oferta (os “produtores/investidores”). O afã é tanto que gritos de revolta começam a ser ouvidos na imprensa internacional (embora o artigo que aqui cito seja simplório e demasiado optimista quanto aos gregos e a sua “revolta”):

The attack that is so acute in Greece is taking place all over the world. Everywhere money is subjecting human and non-human life to its logic, the logic of profit. This is not new, but the intensity and breadth of the attack is new.

Finalmente, o vídeo prometido:

Fonte/Link The Real News Network

E para complementar a demonstração de que o formato da economia liberal baseia-se num projecto de desigualdade económica e social, o vídeo em baixo é uma discussão sobre como mudanças nas instituições de capitalismos anos 70 e 80 (do modelo do Estado Social para o Estado [neo]liberal, que acumula riqueza através de expropriação, também chamada de “privatização” e supressão dos direitos dos trabalhadores) incentivam o crescimento de economias sem que haja redistribuição de riqueza. Daí que, por exemplo, A China seja hoje em dia um país com reservas astronómicas de capital (físico e monetário), mas com níveis de probreza altíssimos, indicando que a riqueza se encontra concentrada nas mãos das elites.

O argumento técnico baseia-se na discussão da curva de Kuznets.

Fonte/Link Naked Capitalism
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