Os 99%

Evolução de desigualdade económica em gráficos e a super elite político-financeira

Usando dados do fisco americano, os gráficos em baixo mostram como a riqueza, desde os anos 70, se concentrou no topo e que a percentagem do rendimento nacional americano distribuído através de salários diminuiu consideravelmente em favor de ganhos de natureza financeira (nos EUA).

Evolução dos rendimentos por escalão de IRS

Distribuição de mais valias de investimentos financeiros

Estas duas tendências sobrepoêm-se e mostram como o sector financeiro da economia redistribui uma quantidade desproporcional de dinheiro a uma minoria (ou elite) que, trabalha no, e manipula, o dito sector.

Isto demonstra a dimensão de classe na crise que temos hoje em dia e que, não sejamos ingénuos, a austeridade não é uma solução tecnocrática, mas sim um projecto político de conquista de mais poder e dinheiro. E, coincidência!, alguns dos nomes chave destes anos de crise, pessoas com responsabilidades políticas, são ex-banqueiros (muitos deles da Goldman Sachs):

Ex-Banqueiros em Posições de Responsabilidade Política

 A situação é semelhante nos EUA, com os grandes instituições financeiras a patrocinar os candidatos presidenciais americanos com doações astronómicas. O Obama, por exemplo, é generosamente patrocinado pelo sector legal, dos lobbies e alta finança, que somam metade de todas as contribuições da campanha! Há detalhes extensos acerca das campanhas de cada candidato no website OpenSecrets.org.

Eis que vemos então uma completa monopolização do sistema político e das instituições de representação democratica, através do financiamento partidário e das “revolving doors, onde as mesmas pessoas circulam entre posições de governo e altos cargos em empresas privadas – geralmente do sector financeiro, ou, na Europa, empresas ligadas ao sector energético e de serviços públicos. Veja-se o Gerhard Schröder, ex-chanceler alemão, que trabalha hoje em dia para a russa Gazprom (é membro do conselho de administração do gasoduto Nordstream que traz gás da sibéria para a Alemanha através do mar báltico, sem atravessar nenhum país terceiro). Antes disso, Schröder era “gestor global” do banco de investimento Rothschild.

Outro exemplo mais próximo de nós: o Teixeira dos Santos, herói das negociações com a Troika, era o presidente da bolsa de valores de Lisboa antes de entrar no governo de Sócrates. Do lado do PSD, a acompanhar as Troikices, estava o Catroga, que detém ou deteve um sem número de cargos em empresas enormes, incluindo a EDP, o banco Finantia, Nutrinveste e Quimigal. Mais coincidências! Nunca calha um destes senhores ser, sei lá, um mero professor por exemplo!

Os 99% somos nós e claramente temos muito pouco a dizer sobre o que se passa no nosso país e na Europa. As nossas instituições democráticas foram esvaziadas de conteúdo (se alguma vez o tiveram) e estamos a mercê de uma autocracia financeira, nacional e internacional, que usa as tais financial weapons of mass destruction.

Fonte/Link Political Affairs & The Independent
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