Perspectivas e revolta

Catrapum!

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Recapitulando – A zona euro vive em crise sistémica

Este belo artigo, um resumo actualizado da crise na zona euro, põe em destaque a natureza de classe subjacente às políticas económicas que estão a acentuar a crise. Usando a fábula da cigarra e da formiga, o artigo mostra que o custo e sofrimento da crise estão a ser postos nos ombros da classe trabalhadora, enquanto a cigarra colhe os lucros. Esta perspectiva refina a interpretação de imperialismo germânico sobre a Europa para um imperialismo de classe, em que a elite alemã co-opta as lideranças do sul para explorar os trabalhadores PIIGS e alemães (o que é verdade, porque não nos esqueçamos que a Alemanha já tem 10 anos de supressão de salários, que está na origem da clivagem de produtividade na zona euro).

A um nível de políticas, o artigo salienta o discurso oficial de contrair à força as economias do sul (em teoria para corrigir, de forma brutal e injusta – diga-se! -, as clivagens de produtividade), em contraste com as acções mais ou menos disfarçadas do BCE, que anda a imprimir dinheiro como se fossem brochuras de publicidade à pizeria da esquina de forma a salvar os principais bancos europeus que estão insolventes. É claro que este género de acção visa fazer os miseráveis pagar a crise e salvar os ricalhaços dos erros que cometeram.

As with all of the “rescue plans” introduced thus far, the latest does not allow the Greek government to help its people cushion the blow from 5 years of depression, but simply provides a mechanism to bail out banks and bondholders.

Fonte/Link New Economic Perspectives
 

Explicação monetária da crise na zona euro

Uma explicação concisa e inteligível dos mecanismos monetários por trás da crise e de como os resgates efectuados até agora tendem a piorar a crise e não a resolvê-la.

Now, this is always the case for national governments because a shrinking economy means shrinking tax revenue. Moreover, in the case of governments with automatic stabilisers to pay for, outlays are also increasing. So a worsening of the government’s budget is automatic in a recession. As currency users, the euro zone’s national governments must also be worried about insolvency as we now see. They too must act pro-cyclically then. Procyclicality is one of the structural flaws of the euro zone; there is no federal agent to add any net financial assets counter cyclically during a recession. Thus, the euro zone business cycle will always have to be more volatile as every economic agent must act pro-cyclically. That makes current account imbalances a lightening rod for intra-European recrimination.

 Fonte/Link Credit Writedowns 

Tic-Tac a norte

Pode ser que em breve o discurso dos mediterrânicos preguiçosos rebente na cara dos puros e inocentes líderes do norte. Há sinais de que uma enorme bolha imobiliária está a desenvolver-se nos países europeus até agora (aparentemente) imunes à crise, nomeadamente Reino Unido, França, Alemanha, Suíça, Bélgica, Holanda, Áustria e Escandinávia.

Could Sweden or Finland be the scene of the next European financial crisis? It is actually far likelier than most people realize. While the world has been laser-focused on the woes of the heavily-indebted PIIGS nations for the last couple of years, property markets in Northern and Western European countries have been bubbling up to dizzying new heights in a repeat performance of the very property bubbles that caused the global financial crisis in the first place. Nordic and Western European countries such as Norway and Switzerland have attracted strong investment inflows due to their perceived economic safe-haven statuses, serving to further inflate these countries’ preexisting property bubbles that had expanded from the mid-1990s until 2008. With their overheated economies and ballooning property bubbles, today’s safe-haven European countries may very well be tomorrow’s Greeces and Italys.

Fonte/Link The BubbleBubble
 

A “intelectualização” da crise

Finalmente, sinais de vida do sector académico de esquerda (ou ligeiramente de esquerda). Um grupo de académicos mais ou menos conhecidos a nível europeu subscreveram uma carta aberta contra as políticas de resgate e austeridade ensaiadas na Grécia. Salientam, precisamente, que a Grécia (Portugal, Irlanda) são apenas o começo. Depois de testado, o austeritarismo será provavelmente expandido ao resto da Europa, sob a bandeira da União Europeia.

The goal is not about “saving” Greece. All economists worthy of this name agree on this point. It’s about gaining time in order to save the creditors at the same time it leads the country into deferred collapse. Above all it’s about making a laboratory of social change out of Greece that, in a second generation, will spread throughout all of Europe. The model experimented upon Greece is one where public social services, schools, hospitals, and dispensaries fall into ruin, where health becomes the privilege of the rich, and where vulnerable populations are doomed to a programmed elimination while those who work are condemned to the most extreme conditions of impoverishment and precarity. (…) In short, it is the widespread looting, characteristic of financial capitalism which here offers itself a really beautiful institutional consecration. To the extent that sellers and buyers sit on the same side of the table, we have no doubt that this enterprise of privatization is a real treat for the buyers.

Fonte/Link European Graduate School (Alain Badiou)
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2 comments
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