O que é o imperialismo?

Crisis of Capitalism

Este pequeno artigo é uma tradução-paráfrase-resumo do original em inglês, publicado no blog Pink Scare. O original é uma discussão da definição do conceito de imperialismo, baseado nas ideias de Lenine, e pretende servir como um quadro de análise, ou como ponto de refência teórica, para perceber o que se passa no mundo: usando este conceito, o leitor poderá aventurar-se na interpretação de acontecimentos recentes (austeridade, guerra no iraque, guerra em qualquer lado) munido de uma base de análise que lhe permitirá ver a dimensão macro de diversos fenómenos político-económicos. Aconselha-se a leitura do original para não perder nenhuma nuance da definição.

  • O imperialismo é uma relação de dominação de um Estado mais forte sobre um Estado mais fraco, que involve exploração (extracção de mais valias sem justa recompensa), e que resulta numa constante luta pela divisão do globo em “zonas de influência”.
  • O imperialismo resulta da estrutura e organização capitalista da economia mundial e não pode deixar de existir enquanto essas condições se mantenham. Esta dinâmica está relacionada com o facto de a actividade económica tender para a acumulação de riqueza em alguns centros sistémicos (mundo actual, USA+Europa, com potências satélite como a Rússia). Esses centros de acumulação de riqueza entram em fricção mútua pelo controlo sobre pessoas e recursos e, consequentemente, de mais acumulação e meios de acumulação. Neste sistema, quem perde o poder de acumular sai da corrida e perde influência. Daí que a luta pelo maior PIB é hoje em dia uma obsessão e um valor de um país é medido na percentagem de quanto consegue fazer o dito crescer.
  • Esta relação simbiótica de capitalismo e imperialismo pode ser descrita com o seguinte esquema:  1) A concentração do capital e da produção dão origem a grandes conglomerados (monopólios, cartéis, oligopólios, etc) que se tornam pedras angulares da vida económica. 2) A expansão exponencial do sector financeiro através da fusão funcional entre bancos e companhias de produção industrial o que conduz ao 3) crescimento acentudo na exportação e globalização do capital (por oposição a simples produtos industrias prontos a consumir). Esta internacionalização conduz à 4) criação de conglomerados internacionais, que se 5) empenham na divisão territorial do mundo, através da competição, de forma a controlar os meios de acumulação.
  • A expansão exponencial do sector financeiro através da fusão funcional entre bancos e companhias de produção industrial/conglomerados é um dos factores chave do capitalismo moderno. Esta junção resulta numa tal acumulação acelerada de capital, que não existem oportunidades suficientes para absorver esses lucros de forma lucrativa (investimento+lucro). Isto é o que David Harvey chama de “capital absorption surplus problem” (ver vídeo em baixo) e que conduziu, desde os anos 70, a uma expansão geométrica do sector financeiro: a criatividade dos mercados “permite” multiplicar exponencialmente ad infinitum a aculumação de capital através da criação de ficções económicas tais como “securitazation”, “CDS”, re-hipotecação de colateral, etc. O problema está que esta expansão só existe em bits e bytes e quando rebentam as bolhas, levam a economia real pela água abaixo.  A segunda dinâmica a acompanhar o “capital absorption surplus problem” é que os conglemarados, à procura de mais sítios ainda mais lucrativos para pôr dinheiro, se lançam pelo globo fora à cata de ouro, petróleo, salários miseráveis, emprestimos e subsídios, etc etc etc.
  • Neste seguimento, o conflito armado resulta do interesse das elites de sociedades baseadas em sistemas de classe classe (onde uma minoria rica governa sobre a maioria sem nada exceptuando a sua força de trabalho) e que são também centros de conglomeração em manter a sua esfera de influência e as respectivos instrumentos de extracção de rendas e lucros. Contudo, não se pense que o imperialismo se expressa apenas em guerra. Ele existe permanentemente, já que faz parte integrante do sistema global, e em tempos de paz as suas expressões são talvez menos violentas e menos grandiosas em escala, mas continuam a existir de facto.
  • O imperialismo, como consequência da forma de organização e produção capitalista, tem inevitavelmente uma dimensão de classe. A competição pelo trabalho e capital que permitirão criar mais lucro é o motor que alimenta a ocupação colonial e outras formas de exploração, por exemplo, estrangulamento financeiro, supressão salarial, apropriação de bens públicos (ou seja, privatização), etc.

Aconselhamos mais uma vez a que se leia o posto original e, como forma de esclarecer o “capital absorption surplus problem” deixamos este vídeo com excertos de uma palestra de David Harvey, ilustrada pela RSA Animate. A palestra cobre um tema mais largo: a natureza da crise actual, as suas origens e relaciona ambos com a natureza do capitalismo.

Fonte/Link Pink Scare

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