Finalmente, somos estrelas!

Para quem ache que a Grécia está a roubar demasiada atenção a Portugal nesta crise de dívida externa, alegre-se! Chegou a altura de Portugal

 As taxas de juto exigidas por potenciais compradores a de dívida pública portuguesa a 10 anos estão em quase 13%, mais ou menos o dobro a que estavam faz agora um ano (Março 2011). A Espanha, por comparação, tem agora as ditas taxas a mais ou menos 3,5%. E é suposto ser também um país em crise.

Ora, o que isto significa é que a malta que tem dinheiro (principalmente os bancos europeus que receberam dinheiro à borliu do Banco Central Europeu) recusam-se a investir em títulos de dívida portuguesa porque acham que o país vai cair na banca rota mais cedo que tarde. E não há medida nenhuma de austeridade que ajude o Passinhos a fingir que está a resolver seja o que for. Só está a piorar a situação. Deve ser uma estratégia para reduzir o valor nominal dos bens a privatizar – fazer a alienação de Portugal a preços de pechincha na feira da ladra.

 Segundo Edward Hugh, autor de frequentes análises macroenómicas bem fundamentadas em dados númericos e economista de referência no mundo internauta, Portugal tem basicamente uma dívida pública e privada astronómica que não consegue pagar com o crescimento de caracol que tem (e que a austeridade transformou em recessão e crescimento negativo). Se não há crescimento não há criação de riqueza suficiente para pagar as dívidas acumuladas tanto no sector privado (através de lucros) como no sector público (através de impostos).

 Tal como 1+1=2, o que resulta do acima dito é que portugal vai à bancarrota. A data prevista de momento é setembro de 2013, altura em que o país tem pagar de volta 9.3 biliões de euros (9.3 mil milhões, ou 930 000 000 000) aos seus credores de uma só assentada.

 A situação em 2011 só foi salva pela transferência dos fundos de pensão do sector bancário para as contas públicas, mas isso foi um truque que não se poderá repetir. Sem isso, a performance austeritária do Passinhos teria sido bastante pior, e o FMI está bem ciente disso. 

That is to say the Fund has a double role here – to talk the efforts of the Portuguese administration up before the world’s press, and to try and keep the politicians in line in the background.

 O que se está a passar, muito provavelmente, é que a depressão causada pela austeridade vai afectar a criação de lucro e receita fiscal, tornando-se impossível atingir os níveis de receita previstos para um certo défice, levando por isso o Governo a implementar mais cortes (austeridade), numa espiral suicida da economia e do país. E mesmo assim os tais alvos de défices não serão atingidos. Portugal irá à falência.

 Mas a sitação não se trata apenas através do lado da receita. O nosso querido Estado de mercados livres conseguiu em 2011 gastar mais do que o previsto em empresas estatais e nas famosas parcerias público privadas. Ou seja, pode-se cortar na pensão dos reformados, mas mantêm-se os subsídios à grande e à francesa para os amigos empresariais e para coisas como a Lusoponte, que recebeu “dupla creditação” pelas portagens de Agosto de 2011. Como indicação Hughes calcula que o Estado português tem uma exposição à dívida das PPP de 14% do PIB e que todos os anos gasta 1% do PIB a pagar as taxas de juros das dívidas das PPP. Junta-se o insulto à injúria! Obrigado, Passinhos!

 Assim, a situação não está mesmo nada boa para 2012. Estimativas apontam que a economia privada em Portugal em 2011 gerou uma dívida privada de 3.5% do PIB (possivelmente semelhante em 2012) ao que se deverá acrescentar o estimado bailout do sector financeiro português (chamado de recapitalização) para 2012 de 4.7% do PIB!!!

 Que grande forrobodó!

 As perspectivas a longo prazo também não são melhores. A economia portuguesa tem estado em decadência faz 10 anos, as previsões do FMI não são melhores a longo prazo com médias de 2% de crescimento, temos uma população a envelhecer e os jovens a emigrar por causa da crise. De uma forma inesperada, Hughes mostra como a Hungria já implementou todas as medidas de supressão salarial no sector público que Portugal está agora a implementar e que isso teve impacto zero no crescimento (possivelmente porque reduzir os salários dos empregados públicos em nada melhora a “produtividade” da indústria e exportações portuguesas, ao mesmo tempo que reduz procura interna). De qualquer forma, da nossa perspectiva é errado baixar salários para aumentar competitividade, numa corrida para o fosso entre nações em crise, enquanto se preservam lucros de grandes empresas e mafias partidárias.

A conclusão é que o país está agora no ínicio de uma década deflacionária, com queda de rendimentos e níveis de vida. Quando Portugal emergir da crise daqui a 10 anos será em geral um país consideravelmente mais pobre e provavelmente com possibilidades de crescimento limitadas. E se hoje em dia já não é rico…

 Entretanto, na Grécia, continua a ocupação Alemã:

Lucas Papademos in place and have him “request” that Germany reoccupy Greece. Papademos is not elected. He is in power because his elected predecessor, George Papandreou, announced that Greece would hold a plebiscite on whether to agree to the terms of a deal on Greece’s sovereign debt that would have the effect of surrendering Greece’s remaining sovereignty and consigning the Greek people to an even deeper depression. The inevitable German reaction to the plebiscite was: Democracy in Greece – inconceivable! Germany threatened to destroy Greece’s economy if there were a plebiscite. Germany’s extortion led to the collapse of Papanderou’s elected government and Papademos’ appointment as Greece’s de facto prime minister.

 Vale a pena ler o artigo inteiro que analise a crise europeia a partir da Modern Monetary Theory (uma espécie de neo-keynesianismo), que é neste momento a maior e melhor alternativa aos dogmas económicos de Bruxelas e Berlim e uma possível arma de libertação nacional.

Fontes e Links EconoMonitor & Zero Hedge & Naked Capitalism

PS: Outro PIIG a sair-se mal com a austeridade e com a autosabotagem económica é a Irlanda.

PPS (Conselho): Esta é uma boa altura de correr ao vosso banco e perguntar aos servos-da-finança que aí trabalham como podem aplicar o vosso dinheiro (se tiverem algum) em ouro de investimento. É isso que os bancos centrais do mundo estão a fazer, porque já ninguém acredita muito em dinheiro feito de papel. E agora é uma boa altura porque os preços do ouro caíram ligeiramente. Parece ser uma das poucas formas existentes de preservar as poupanças, se as tiverem!

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