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Monthly Archives: Abril 2012

 

ImageA Marcha Global da Marijuana é um evento internacional anual, com origem em Nova Iorque em 1999. Hoje em dia conta com a participação de mais de 300 cidades espalhadas pelo globo. Em Lisboa, no dia 5 de Maio realiza-se a sua 7ª edição.

As razões pelas quais a defesa da legalização da canábis ganha uma acrescida importância em contexto de crise económica nem sempre serão óbvias:

Por um lado, teríamos a diminuição do tráfico que permitiria uma poupança de despesas que, (apesar da descriminalização) continua a ser desperdiçado na perseguição e estigmatização dos consumidores: em forças policiais, tribunais ou centros de dissuasão da toxicodependência.

Por outro lado com a legalização, teríamos um aumento de receitas para o estado através de impostos sobre o comércio ou licensas sobre o cultivo, uma economia geradora de emprego. O potencial da utilização de uma substância com capacidades terapêuticas e industriais cientificamente comprovadas há já muito tempo teria um impacto muito positivo na economia e na qualidade de vidas de muitas pessoas.

Mas não é apenas por razões económicas e medicinais que a legalização da canábis será uma medida justa. A substituição da política de guerra às drogas por uma política de responsabilidade e respeito pelo direito individual de cada um consumir o que quiser, desde que não prejudique o interesse colectivo, é urgente.

Um estado que não reconhece este direito a um cidadão é um estado que não respeita a liberdade do povo que o compôem e lhe dá significado, é um estado cuja matriz é composta por injustiça, preconceito, corrupção, ignorância e hipocrisia.

Esta é uma questão civilizacional. Será um erro pensar que o combate contra a Troika e a construção de uma alternativa passa por uma maioria que continue a ser proibicionista, sexista, homofóbica, racista, xenófoba ou desrespeitadora do ecossistema no qual está integrada.

Parafraseando o recentemente falecido mandatário da Marcha Global de Marijuana, Miguel Portas: “Se querem proibir alguma coisa, proíbam a guerra!”

Por estes motivos convoco todos e todas a estarem presentes no próximo sábado na Marcha Global da Marijuana. Contra a troika, na defesa da democracia, da liberdade, da criação de empregos: Contra crise, legalize!

P.S. Consta que Pedro Passos Coelho terá estado presente numa “Festa da Folha” promovida pelo BE há mais de 10 anos. Consta que o consultor, Presidente da JSD e Deputado Duarte Marques ande a bafá-las. Consta que a JSD e a JS subscrevem o manifesto pela legalização da canábis do movimento Marcha Global da Marijuana. Consta que nenhum deles está a mover uma palha para serem coerentes.

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Portugal vai mesmo à falência. Mas creio que pelo caminho, Passos & Companhia vão roubar o país de tudo o que tem.

Portuguese Liquidity Trap: When You Add Too Much Liquidity To F.I.R.E. It Burns!

Reggie Middleton, do blog boombustblog.com

Artigo original publicado a 12 de Março de 2012

In this followup to Greece Is Trying To Convince Portugal To Make F.I.R.E. Hot I think we should get straight to the point – Anyone who doesn’t believe that Portugal is clearly set up to for a bond route, and that it is seriously considering a default is either lying to themselves, believe human nature has changed, and/or really hasn’t bothered to review the math. Here’s proof of a Portuguese default presented with logic, numbers and pretty colorful graphs. The full spreadsheet behind all of the calculations, scenarios, bond holdings and calculations can be viewed online here (click this link) by professional level subscribers. Click here to subscribe or upgrade.

For one, we are on up to the 3rd Greek Bailout (Portugal has only received one hence it could be getting envious:-)). Portugal has had extreme austerity measures inflicted upon it. So extreme that it has materially and significantly depressed the economy. Portugal’s GDP growth contracted even further by 1.3% q/q in Q4. Its HICP Moderated to 3.4% y/y in January. Very high unemployment (currently at 14% and rising), weakening wages, and a total dearth of credit to businesses and households (do you really think bond-busted banks are lending to and within Portugal like the good ‘ole days) will lead to a downward spiraling self-fulfilling prophecy that is the antithesis of what appears to be driving all of those rosy estimates behind reports that Portugal won’t default. I do mean rosy, see Lies, Damn Lies, and Sovereign Truths: Why the Euro is Destined to Collapse! for examples. Let it be known that instead of growing the economy out of the doldrums, Portugal’s austerity measures will push it down the drain.
It’s gotten so bad that even the rating agencies are on board the truth train (Rating Agencies vs Reggie Middleton, Part 3). After Moody’s downgraded Portugal, all three major agencies have it at junk, of course a year later than said information would have been useful. The massive liquidity injections by the ECB have prevent the market from imploding, but has also failed to rectify the problem, rather they simply feed the appetite of an addicted pig in the form of banks and sovereigns that rely on cheap/free money without the requisite market disciplines of risk wieghting and respect for the cost of capital.

Due to total reliance on funny munny from the ECB, required due to the lack of external financing avialable from the markets (unless Portugal defaults/restructures and starts from scratch, which is inevitable anyway) the Portuguese machine will still be in arrears accumulation mode – a mode which is essentially unsustainable.

Despite what I see as practically unassailable facts, the MSM is still steadfastly and unrealistically bullish, as per Bloomberg, Portugal Bond Rout Overstates Greek Likeness. Well, the Portugal Bond Yield is at 13% Despite Greek Deal – that’s right, the 3rd Greek deal and one that include 74% haircut!!! Portugal will default/restructure and there’s a very, very strong chance that right behind them will be Spain and then Greece again. That’s right, Greece, again!

Who was right about the Greek default, running against the consensus two years ago? See 2010 posts – Greek Crisis Is Over, Region Safe”, Prodi Says – I say Liar, Liar, Pants on Fire! and then A Comparison of Our Greek Bond Restructuring Analysis to that of Argentina. In The Anatomy of a Portugal DefaultA GraphicalStep by Step Guide … I walked through the financial tangle that is Portugal about two years ago, as excerpted.

This is the carnage that would occur in the OPTIMISTIC if the same restructuring were to be applied to Portugal today.

Yes, it will be nasty. That 35% decline in cash flows will be levered at least 10x, for that is how much of the investors in these bonds purchased them. A 35% drop is nasty enough, 35% x 10 starts to hurt the piggy bank! As a matter of fact, no matter which way you look at it, Portugal is destined to default/restructure. Its just a matter of time, and that time will probably not extend past 2013. Here are a plethora of scenarios to choose from…

This is Portugal’s path as of today.

Even if we add in EU/IMF emergency funding, the inevitability of restructuring is not altered. As a matter of fact, the scenario gets worse because the debt is piled on.

Well, I took said model and updated it with recent historical GDP results as well as projections which incorporated the most recent developments. Do you think things look better or worse?

This is what Portugal’s situation looks like today…

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The Portuguese bond yield has spiked since the Greek deal. Methinks Mr. Credit market (who is much wiser than Mr. Eqiuity market, probably due to the increased difficulty in manipulating Mr. Credit’s demeanor) seems to agree with Reggie…

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These are the Portuguese bonds used in the calculations. Professional subscribers can access the full model and all of the stuff that went into it via the link at the bottom of this article – Introducing the Not So Stylish Portuguese Haircut Analysis.

Neste artigo limitar-me-ei a dar o palco ao Sr. Michael Hudson, professor de economia na Universidade do Missouri (Kansas City), um dos poucos centros académicos nos Estados Unidos a tentar incluir no debate sobre a crise actual a Modern Monetary Theory, cujos princípios são em muito contrários à banha de cobra que o neoliberalismo, através do FMI, da Comissão Europeia e  do BCE, quer impôr na Europa.

Michael Hudson está também associado ao Levy Institute of Economics (já referenciado neste blog) da Universidade Bard (2 horas a norte de Nova Iorque), e que se distingue por um pensamento económico ligeiramente mais progressivo do que as correntes que dominam os discursos oficiais.

Temos então dois vídeos sobre o tema da escravatura da dívida e expropriação:

1. Nesta entrevista, Michael Hudson explica como as políticas da troika se destinam a proteger a posição dos dententores de capital (sector bancário de investimento) em relação ao resto da população, resultando numa redistribuição de riqueza de baixo para cima da pirâmide social. Analisa os particulares da situação europeia e dos PIIGS e compara-a com anexação territorial e ocupação militar, já para não dizer roubo. Uma das ideias chaves é que a austeridade resulta num falhanço inevitável nas metas de consolidação fiscal e orçamental, o que “obrigará” os Estados a alienar património a preços de pechincha (TAP, EDP, Águas e Saneamento, etc etc etc).

2. Este vídeo é a palestra que Michael Hudson deu recentemente em Berlim. Nos primeiros dez minutos faz uma resenha da actual resposta política e económica que tende a piorar a situação (expropriação da população para pagar aos bancos) e dá 3 possíveis e simples soluções para travar o sistema oligárquico sob o qual vivemos hojem em dia no mundo ocidental.

Finalmente, para os mais interessados, podem ler o paper que está na base desta palestra neste link.

Como exemplo da vida real do que as palestras em cima explicam, vejam este vídeo do despejo de um casal de idosos na Irlanda pelo Anglo Irish Bank, por falta de pagamento do empréstimo à habitação. Agora, levem em consideração que o Anglo Irish Bank foi resgatado pelo governo irlandês usando o dinheiro dos contribuintes, mais precisamente 34 biliões de euros. De uma forma sádica, e no que é praticamente um assalto à mão armada (pela polícia, pelo Estado e pelo banco), este casal de idosos é expropriado da sua casa por um banco que ajudaram a salvar com os seus impostos!

Num extraordinário momento de hipocrisia moral, política e económica, o Banco Central Europeu está a defender o direito dos seus trabalhadores a terem pensões ajustadas à inflação automaticamente, enquanto recomendam precisamente o contrário para os salários e pensões da zona euro, em especial, os países em “ajustamento estrutural” (para usar os palavrões do FMI).

By Stephan Ewald, who works in the financial sector and lives in Cologne, Germany. He contributes to the blog http://www.wiesaussieht.de and you can follow him on Twitter at @StephanEwald

On its website the European Central Bank proclaims the mission of the Eurosystem (emphasis mine):

The Eurosystem, which comprises the European Central Bank and the national central banks of the Member States whose currency is the euro, is the monetary authority of the euro area. We in the Eurosystem have as our primary objective the maintenance of price stability for the common good. Acting also as a leading financial authority, we aim to safeguard financial stability and promote European financial integration.

Since the start of the Eurosystem our brave inflation warriors at the ECB regularly praise themselves what a heck of the job they are doing about their primary objective the maintenance of price stability. But yesterday the German Daily Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ) published an article (German), that our guardians of price stability fight another good fight. The employees of the ECB want their own pensions to be inflation protected.

So the same folks who lecture member states of the Eurozone about the danger of private sector labor and pension contracts being inflation-indexed because of moral hazard want their own pension contracts inflation-indexed. For this fight to be successful ECB employees deploy a very evil institution: the central banker union IPSO. According to the FAZ article a former employee sued the ECB with the help of IPSO at European Court of Justice.

Which begs the question: what hypocritical morons are working at the European Central Bank?

Deixo-vos com uma pergunta: acham que o Governo português e a sua retórica de crise é em alguma coisa diferente? É de alguma forma menos hipócrita?

Tirado do blog Naked Capitalism

O Romântico Euro
O Romântico Euro

A Situação

A Austeridade é uma política pública desastrosa. A taxa de desemprego europeia (na zona euro) está em 10.8%. O que corresponde a um recorde de 13 anos e a um total de 17.1 milhões de desempregados. Nas economias germânicas, Austria e Alemanha, a taxa anda nos valores mais baixos (4% e 6% respectivamente), enquanto que nos países PIIGS, que estão activamente a implementer medidas de repressão financeira, a taxa de desemprego está dos 15% para cima. Leve-se ainda em consideração que há muitos sinais suspeitos que fraude nos números de desemprego é generalizada e existe até na Alemanha (ver este artigo).

Desemprego na Zona Euro

Os doutores da austeridade irão argumentar que isso se deve à falta de competitividade das economias do sul. E até pode ser, em termos de indicadores económicos. Mas as razões vão mais fundo. Como Richard Seymour argumentou no artigo que aqui re-publicámos, a situação actual de produtividade revela um canibalismo intraeuropeu em que a Alemanha (e potências associadas) cresce à custa das economias mais fracas, numa tendência que começou mais visivelmente nos anos 90 quando a Alemanha tomou medidas para suprimir salários (baixar os custos) e a procura interna (mantendo a inflação em baixo, logo os custos macroecómicos) e reorientar a produção, não para consumo interno, mas para os mercados de exportação.

Isto são precisamente o tipo de políticas económicas que o Passos defende e que a Merkel dita. O objectivo da Austeridade é reprimir as economias. O problema é que não há necessariamente crescimento, nem a longo prazo. Porque a Alemanha precisa de usar o instrumento da dívida de países como Portugal para financiar a procura externa dos seus mercados de exportação. E usar a dívida permanente como instrumento de controlo político significa que Portugal não se consegue livrar da escravatura da dívida que lhe é imposta, assegurando um futuro brilhante e expansionário à economia alemã (â custa de Portugal e outros PIIGS).

E a curto prazo, como já temos batido constantemente na tecla, a austeridade conduz à contracção acelerada da economia com contracção imediata do PIB e aumento dos níveis de privação da maioria da população, porque o Estado está basicamente a tirar riqueza de circulação e distribuição (ou melhor, a tirar riqueza e a distribuir para cima, em vez de para baixo, da pirâmide social).

E se prova querem de que esta crise austeritária se trata realmente da Alemanha a tomar controlo da zona euro e respectivas economias para seu benefício, só há que ver, por exemplo, o que aconteceu recentemente. O primeiro ministro grego já pôs na mesa a hipótese de um 3º resgate, porque as eleições estão aí à porta, e é preciso que os alemães façam chover dinheiro para garantir que um governo amigável e pró-colonial seja eleito. Entretanto, possivelmente, as exigências austeritárias sobre a Grécia vão diminuir e o dinheiro (ou parte dele) do resgate será colocado numa conta segregada, à qual o governo grego não terá acesso, e que servirá para pagar imediatamente aos credores (leia-se bancos alemães que financiam a procura externa à indústria alemã, bancos franceses e o BCE).

Germany, after ‘trapping’ many countries in the e-Zone ignored their situation while Germany continues to post increasingly lower-than-required rates of inflation as many in EMU ahve run higher rates. As a result of this, there is a huge competitiveness conundrum in the Zone. It seems to have been engineered by Germany-and they are great engineers. (…)

What allows the US to to maintain a union that has areas of vastly different real income, property values, etc, is its fiscal transfer system. Germany instead of dealing with today’s issues, and assisting with development (instead of just bail-out bucks) wants to roll the clock back and set up what I have called a Bento-box view of Europe in which GERMANS will be made safe as each member of EMU will have its own mandated balanced budget and will be put in a Germanic-like straight jacket of fiscal responsibility. Hey that sounds like fun!

The Euro zone is NOT the German Zone. It was not formed and does not exist for the benefits of Germans. But as Germany is in a position of power it is now trying to bend every EMU nation to its way of doing things. This widespread use of austerity is foolishness. You may denigrate ‘Keynesianism’ a term that is such a cartoon and straw-man that it has no meaning, but austerity in the midst of recession is tomfoolery!

If policy were geared for the average EMU country the Zone would be quite different. But it is not; it is geared for Germany making everyone else much worse off relative to Germany. Instead of having a zone with most members tightly clustered around the average with Germany and Greece as outliers we have a policy that is being run for one extreme of the Zone – Germany! (Zero Hedge)

Eis o mesmo tema abordado em entrevista ao Francisco Louçã na Real News Network, fazendo a ligação também aos interesses financeiros-banqueiros e de como a dívida é uma forma de escravatura moderna (em Inglês):

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Uma possível solução usando a Modern Monetary Theory

O Instituto Levy de Economia da Universidade de Bard (EUA) publicou um pequeno paper publicitanto uma ideia nova: Títulos de dívida pública que, caso o Estado não possa pagar de volta, se transformam automaticamente em créditos fiscais. Ou seja, se eu tiver  100 euros em títulos de dívida pública e tenho que pagar 150 euros de imposto este ano, posso usar os meus títulos para amortizar essa dívida, ficando apenas a dever 50 euros ao Estado a ser pagos de forma tradicional (via transferência monetária).

Este conceito está alicerçado no facto de que o que dá valor ao dinheiro de papel hoje em dia, em que já não existe o padrão-ouro, é:

  1. a capacidade do Estado em recolher impostos. Ou seja, o valor de uma nota está garantido pela capacidade de taxação e não por directa associação a nenhum recurso raro e preciso (o ouro).
  2. A possibilidade de pagar esses mesmos impostos usando a moeda de papel reforça o seu valor monetário (uma lógica ligeiramente circular, mas é tema para outra discussão)

Assim, os títulos de dívida publica transformar-se-iam numa forma parelela de moeda, permitindo basicamente aos PIIGS emitir moeda de novo sem sair da zona euro e dando-lhes mais instrumentos para se financiarem a curto prazo. Os problemas estruturais continuariam, mas pelo menos haveria espaço para considerar políticas alternativas e atenuar o impacto da crise na população. A questão é se a Alemanha permitirá este esquema. Se este sistema funcionasse, a Alemanha perderia de imediato muito do seu poder, se bem que a curto prazo isso permitir-lhe-ia continuar a usufruir de um mercado de exportação rechonchudo.

O artigo explicando os pormenores desta proposta pode ser lido aqui.

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