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Monthly Archives: Julho 2013

No meio de toda esta confusão, fico feliz por se manter a reunião entre PCP e BE, mas não deixo de lamentar a tentativa de aproximação do BE ao PS.

Pela primeira Imagevez concebo a ideia que esta seja uma altura para, literalmente,nos deixarmos de merdas. Não me choca que o PCP procure entendimentos com o BE. Por mais que as desavenças entre os dois partidos sejam fracturantes, é inegável que no quadro parlamentar português estas são as duas únicas forças de esquerda e “anti-troika”, facto que é, possivelmente, o grande definidor de posicionamento político actual.

Apesar do risco desta posição do BE, pode-se até admitir que acabou por correr bem. Caso restasse alguma dúvida, o PS viu-se forçado a posicionar-se e, como sempre, este posicionamento é inequívoco. O PS é um partido que mais depressa se senta à mesa do banquete do poder, para planear a destruição e divisão dos despojos do Estado Social, do que se assume como alternativa de esquerda. O PS é o partido onde várias vozes se mostram dispostas a “malhar no PCP ou no BE” e outras tantas namoram sem grande pudor o CDS. É o partido que diz que o combate ao PCP “é tão ou mais importante” que o combate à direita. E isto é a face visível do que diz o PS, porque bem mais claro fica o seu posicionamento se analisarmos os seus anos de governação.

Perante isto, parece-me que encontrar posições, discursos ou até acções comuns à esquerda, sem o PS, não é sectarismo. É luta. É a acção natural de quem não está do mesmo lado, de forças políticas que não representam claramente as mesmas franjas da população. Pena que o BE tenha precisado de mais este triste espectáculo para o entender. Se é que o entendeu em definitivo.

Agora, deve ser tempo de avançar. De assumir que há uma alternativa ao caminho que o país leva há décadas e de convencer os eleitores que não, nos últimos 35 anos nunca tivemos em Portugal um governo de esquerda, logo nem todos são culpados, nem são todos iguais. Num país com uma brutal iliteracia política e tendencialmente de direita, não é tarefa fácil. Mas também não pode ser impossível, raios!

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