Arquivo

Author Archives: danidapenha

No meio de toda esta confusão, fico feliz por se manter a reunião entre PCP e BE, mas não deixo de lamentar a tentativa de aproximação do BE ao PS.

Pela primeira Imagevez concebo a ideia que esta seja uma altura para, literalmente,nos deixarmos de merdas. Não me choca que o PCP procure entendimentos com o BE. Por mais que as desavenças entre os dois partidos sejam fracturantes, é inegável que no quadro parlamentar português estas são as duas únicas forças de esquerda e “anti-troika”, facto que é, possivelmente, o grande definidor de posicionamento político actual.

Apesar do risco desta posição do BE, pode-se até admitir que acabou por correr bem. Caso restasse alguma dúvida, o PS viu-se forçado a posicionar-se e, como sempre, este posicionamento é inequívoco. O PS é um partido que mais depressa se senta à mesa do banquete do poder, para planear a destruição e divisão dos despojos do Estado Social, do que se assume como alternativa de esquerda. O PS é o partido onde várias vozes se mostram dispostas a “malhar no PCP ou no BE” e outras tantas namoram sem grande pudor o CDS. É o partido que diz que o combate ao PCP “é tão ou mais importante” que o combate à direita. E isto é a face visível do que diz o PS, porque bem mais claro fica o seu posicionamento se analisarmos os seus anos de governação.

Perante isto, parece-me que encontrar posições, discursos ou até acções comuns à esquerda, sem o PS, não é sectarismo. É luta. É a acção natural de quem não está do mesmo lado, de forças políticas que não representam claramente as mesmas franjas da população. Pena que o BE tenha precisado de mais este triste espectáculo para o entender. Se é que o entendeu em definitivo.

Agora, deve ser tempo de avançar. De assumir que há uma alternativa ao caminho que o país leva há décadas e de convencer os eleitores que não, nos últimos 35 anos nunca tivemos em Portugal um governo de esquerda, logo nem todos são culpados, nem são todos iguais. Num país com uma brutal iliteracia política e tendencialmente de direita, não é tarefa fácil. Mas também não pode ser impossível, raios!

Não, não é uma composição de um qualquer puto da 4ª classe. Foi mesmo um texto de um tipo que, entre outras coisas foi Chefe do Gabinete do Secretário-Geral do Sistema de Informações da República Portuguesa e, mais tarde, Director-Geral do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa… tão só!

Pronto, agora, vou só por som no telemóvel e esperar a chamada do Relvas a avisar-me que ou me calo ou nem ele, nem os amiguinhos dele falam mais comigo no recreio, ou pior, divulga factos da minha privada..

É ver a notícia aqui.

Este javardo aumento das taxas moderadoras vai afastar gente dos hospitais. É inegável. Tal como o dos transportes afasta pessoas dos autocarros e metro, tal como o das propinas afastou gente das universidades, tal como o de tudo afasta gente de Portugal.

Hoje, o que me traz aqui é a saúde. Porque já diz o povo, é preciso é tê-la, porque o resto lá virá por acréscimo. Ou pelo menos, no tempo em que o povo sabia o que dizia, era assim. Hoje já se percebe que o resto, trabalho e dinheiro pelo menos, cada vez mais dificilmente vêm a cada um de nós. E sem dinheiro, até o raio da saúde pode ser descurada.

Na passada semana, acossado por um problema menor, lá me deixei levar ao hospital. Por absurdo, e prova de como, pelo menos a mim, este desprezo pela saúde pública por parte do Governo já me inverteu o raciocínio, a ida ao privado foi logo a primeira hipótese. Apesar da longa espera a que fui sujeito, verdade seja dita, é que após ser atendido, em menos de nada me  estavam a ser chutados litros de soro para a veia, juntamente com um ror de drogas, enquanto fazia uma bateria de análises. Resultado disto, diagnóstico feito e recuperação em cerca de 2 ou 3 dias. Tudo isto pela módica quantia de 37€ (à parte o pagamento do seguro, mas isso é questão para outras linhas que não estas). Enquanto cliente, e sabendo que na concorrência (os hospitais públicos, portanto) me seriam cobrados de imediato 20€ e, provavelmente, haveria grande resistência à realização de terapêuticas e diagnósticos complementares por contenção de custos, só posso estar satisfeito. E é com isto que me entristeço e preocupo. Também na saúde, os impostos que pago de pouco ou nada servem. Para pagar 20€ para entrar num hospital público, ao menos que tivesse direito a uma bebida branca ou a duas cervejas.

E se eu, por sorte, ainda me posso dar ao luxo de fazer esta escolha, pagando duplamente por um serviço que devia ser público (para não dizer gratuito), não pode a minha consciência ficar tranquila sabendo da mossa que 20€ causam na maioria dos orçamentos familiares, para mais acrescidos dos custos de exames complementares, mais transporte, mais medicamentos, mais eventuais baixas.

Este javardo aumento das taxas moderadoras vai afastar gente dos hospitais. É inegável. Tal como o dos transportes afasta pessoas dos autocarros e metro, tal como o das propinas afastou gente das universidades, tal como o de tudo afasta gente de Portugal. O problema é que aqui, as consequências podem ser bem mais graves. A pequena dor passa a infecção, o desconforto é mais grave do que se pensava, o caroço que não é nada, é um tumor que precisava de ter sido detectado mais cedo. E tudo isto porque na hora de ir ao hospital, podemos ter de pensar se os 20€ não darão mais jeito para comer até ao fim do mês.

Mas enfim, compreende-se que se deva pagar e bem por estes serviços. É preciso é que não falte para as Parcerias Público-Privadas, que não falte para os gestores e empreiteiros ligados à Parque Escolar, que não falte para a Lusoponte, que não falte para o capital chinês e para o sultão de Omã, que não falte para o BPN, que não falte para os agiotas alemães. As mais de 1000 pessoas que morreram “a mais” neste período, são só isto, quatro dígitos e dos de menor valor, por sinal. Não são amigos e compadres que podem garantir emprego a este séquito governamental todo, após os 4 (ou 8) anos que irão estar, como o povo também diz, no “poleiro”.

Na minha perspectiva, a saúde pública, já foi. Entregá-la àquele que foi o merceeiro-mor da nação durante vários anos, e que, ainda para mais, foi ex-administrador de um dos grupos que mais lucra com a eliminação da concorrência do Estado na área da saúde, só podia dar nisto. Aceitam-se apostas para o próximo ataque aos serviços públicos. A minha é esta: Segurança Social. Estará para breve, temo.

(Literalmente) PS: Diz o Seguro que este é o Primeiro-Ministro socialmente mais insensível da história da democracia portuguesa. Só não concordo com ele a correr, por duas razões. Por ser quem é, e porque a concorrência para este troféu tem sido feroz desde há largos anos. Mas que temos concorrente de peso em Passos Coelho, ai lá isso temos.

Ainda assim, e depois desta minha “análise” à situação do Sporting, quero deixar aqui as minhas previsões na dança das cadeiras que se poderá seguir após este acontecimento. A ser lido de um fôlego: (…)

E agora, para algo completamente diferente: Futebol!!

Portugal foi hoje abalado por uma notícia chocante. Não me refiro à violência que desponta na Grécia, muito menos à morte já de há dois ou três dias da Whitney Houston. Algo bem mais grave abala a nação: Domingos Paciência já não é treinador do Sporting. Aparentemente, acabou-se a paciência da Direcção do Sporting. O que não deixo de estranhar, vindo de um grupelho que, até agora, e alguns meses depois de eleito, tem apenas estes feitos no currículo:

– Ser eleito de forma extremamente dúbia por uma minoria de votantes, só que sendo esta minoria a dos caciques com mais votos;

– Apresentar uma auditoria que demonstra um Sporting em falência técnica; Descobrir, ainda assim, dinheiro a rodos para contratações, sem que se explique de onde;

– Forrar os túneis de acesso aos balneários com imagens de malta a exibir orgulhosamente as suas tatuagens nazis e a frase: “Aqui mandamos nós!”. Nós, quem? O Sporting? As claques? Os neonazis? Todos em conjunto?

– Satisfeitíssimos com a sua piadola, tentar ainda gozar com quem se insurgiu colocando borboletas e florzinhas a substituir a imagem anterior;

– Estar oficialmente presentes no local onde se pegou fogo a uma bancada de um dos rivais e ainda se queixarem do mal tratados que foram;

Dir-me-ão que nem tudo foi mau, que o Sporting atingiu 10 vitórias consecutivas neste período. É de valor, sim.. Mas será que alguém se lembrou de listar os adversários destes jogos? Eu faço o favor, então: Paços de Ferreira, Zurique, Rio Ave, Setúbal, Lazio, Guimarães, Famalicão, Vaslui, Gil Vicente e Feirense. Sobre isto, tenho dito..

Sei que estas linhas poderão incendiar ânimos até aqui pela malta da Farpa, mas admito, incomoda-me esta saída do Domingos. A ter de escolher entre a competência profissional que Domingos já demonstrou noutras ocasiões (por mais desculpas que se queiram encontrar) e a imbecilidade de figuras dos órgãos sociais do Sporting como o próprio Godinho Lopes, o Paulo Pereira Cristovão ou o Eduardo Barroso, se eu fosse sportinguista, sei bem de que lado estaria.

Ainda assim, e depois desta minha “análise” à situação do Sporting, quero deixar aqui as minhas previsões na dança das cadeiras que se poderá seguir após este acontecimento. A ser lido de um fôlego:

Jorge Jesus é campeão e vence a Champions, sendo imediatamente contratado pelo Real Madrid, visto Mourinho, mesmo campeão em Espanha, ter decidido abraçar o desafio mais extremo da sua carreira; O Benfica, aproveitando a má época do Barcelona, contrata Guardiola, instaurando o “toma lá, dá cá”, versão tuga do tiki-taka e levando o Benfica ao topo do mundo e arredores; O Barcelona bate a cláusula de rescisão de Vítor Pereira e contrata-o, levando também Villas-Boas para seu adjunto; Domingos, finalmente, é apresentado como treinador do Porto, podendo já falar sem tentar disfarçar o sotaque do Norte; Mourinho, campeão pelo Real Madrid e derrotado na final da Champions pelo Benfica, é movido por um desejo de vingança e assina pelo Sporting.. pela primeira vez na vida, Mourinho falha estrondosamente, pois nem ele consegue fazer alguma coisa do Sporting. Após uma longa depressão, acaba por se suicidar..

E por agora, é isto. Um bocadinho de bola para desanuviar, que não faz mal a ninguém. O mundo fará o favor de continuar nos Terreiros do Paço e em frente aos parlamentos gregos desse mundo.

Não falo da pilhagem aos restos dos rendimentos da classe média e aos parcos ou nenhuns das classes mais baixas, para uma descarada transferência destes para o sector financeiro. Não falo no esvaziamento, nem na mercantilização de serviços públicos, tornando-os mais um filão para a avara, imbecil e incompetente classe empresarial e/ou financeira portuguesa.

Ao contrário do que possa sugerir o título,não vou falar de futebol. Poderia enveredar por piadas fáceis com o apelido do treinador do Sporting, mas vou evitá-lo.

Vou sim falar de acontecimentos recentes que me têm levado, precisamente, aos limites da paciência. Limites esses, que em alguém que se diz muito racional, não podem deixar de emitir um alerta imediato assim que são atingidos. Ver fluir o meu pensamento para a aceitação ou necessidade de violência, admito, não me agrada.

Apesar de associados, não falo destes meses de governação da direita. Não falo da pilhagem aos restos dos rendimentos da classe média e aos parcos ou nenhuns das classes mais baixas, para uma descarada transferência destes para o sector financeiro. Não falo no esvaziamento, nem na mercantilização de serviços públicos, tornando-os mais um filão para a avara, imbecil e incompetente classe empresarial e/ou financeira portuguesa. Não falo da penalização fiscal que sofrem os rendimentos do trabalho, em contraponto com a protecção aos rendimentos do capital. Na realidade, tudo isto era tão óbvio aquando da eleição deste governo, que dificilmente é por mim recebido com uma agitação maior do que o encolher de ombros de quem diz “eu bem avisei”.

O que tem vindo a mexer de forma preocupante comigo, tem sido a desfaçatez e a fossanguice labrega com que os perpetradores dos actos acima descritos os têm praticado. Poder-se-á alegar que o conteúdo de tais actos seria sempre revoltante, independentemente da forma utilizada para os anunciar. Mas a falta de escrúpulos a que se tem assistido no discurso deste governo e seus satélites demonstra algo de novo.

Atingimos um ponto altíssimo de insensibilidade. Ainda assim, ninguém pode acreditar que em dez milhões de habitantes, não haja um, que no limite do desespero perante o desemprego ou a pobreza iminente, não atinja também o limite da paciência face a governantes que aconselham boa parte da população qualificada deste país a abandoná-lo. Ou perante deputados carreiristas desta maioria que discursam alarvemente sobre as culpas dos “direitos adquiridos” na situação económica a que chegámos e as responsabilidades da geração anterior à minha, que sempre viveu abaixo do que lhe foi devido, mas que, para o próprio, deve realizar mais sacrifícios para garantir algumas migalhas para os mais jovens. E, pior, que não se sintam séria e pessoalmente ofendidos com o desdém com que o mais alto magistrado desta república fala dos seus bem mais que razoáveis rendimentos e se esquece dos seus proveitos de negócios nunca explicados com um dos bancos que mais esburacou as nossas contas públicas.

Assim, dificilmente estranharei ou condenarei se viermos a assistir a um cidadão que, perante tudo isto, venha a perder a cabeça numa visita de um destes dignitários a uma qualquer vacaria deste país, partindo para a agressão. E é esta insensibilidade e aceitação da possibilidade de violência que me preocupa. E que temo não ser o único a atingir.

Meu caro amigo Bruno Pimba,

Espero que esta missiva te vá encontrar de saúde, que nós por cá tudo bem. O tempo vai bom e tua tia Adozinda lá continua boa e de saúde, rija que nem um pêro. Este ano a vindima não foi nem bem, nem mal, antes pelo contrário. Puta do míldio pegou na vide três vezes este ano, tive eu e o teu primo, o Meireles, que andar a sulfatar aquela porra outras três. Mas ainda assim, a uva deu um pomadão, há-des provar aquando cá vieres. Lembras-te da tua prima, a Rosa Pintelhuda? Já pariu quatro vezes, desde que te fostes embora. E há um dos cachopos, o primeiro, que saiu meio aleijadinho, que é mesmo a tua cara. Mas enfim, quando cá vieres, voltas a provar. Do vinho, não da tua prima!

Mas agora que penso nisso, acaso contas voltar, meu amigo? Olha que eu se fosse a ti, nem de férias voltava a este buraco. É uma pena, não teres o bacalhau pelo Natal, não poderes ir tomar banho ao rio pelo Verão, nem veres o Quim Barreiros nas Festas do Campo das Cebolas, mas olha, não se pode ter tudo. E pior do que tudo isto, não ver o Benfica na Luz. Ah, desgraçado, como deves sofrer, aí tão longe.

Mas olha, fizeste tu se não bem. Vê lá que desde que te foste embora, faz agora aí uns quê? 5, 6 anos? Isto tudo… para dizer a verdade, não mudou um pentelho que fosse. E olha que isto não é ordinarice, meu amigo, bem pelo contrário. Isto sou eu a fazer-me a um tachito na EDP, utilizando os termos técnicos da malta que os conseguiu.

Mas de certeza que tens ouvido as notícias por aí, meu amigo. Que o país isto, que o país aquilo, que está falido, que já anda de mão estendida por essa Europa e China fora a pedir um dinheirito para manter isto aberto, e isto e aquilo. E tudo isso é verdade. Mas lembras-te como era no nosso tempo? Era a mesma merda, pá! Lembras-te? Quando nos ríamos à fartazana com o dinheiro sempre a pingar da CEE? E de como comprávamos jipes para ir para o Algarve engatar gajas e dizíamos que o Land Rover era um “veículo agrícola” para a lavoura? Sempre foi assim, não percebo a diferença. Sempre estivemos de mão estendida a ver o que pingava e depois a estourá-lo com grande classe. O pior é que antigamente, para o dinheiro cair, bastava deixarmos nós de produzir e garantir que lhes comprávamos as coisas a eles. Só que parece que agora, os que davam já não têm mais para dar (ou não querem) e então os que podem, cobram-se e cobrem-se bem de juros.

E aí sim, a coisa mudou. Nem fazemos nosso, nem temos dinheiro para comprar as coisas dos outros. E parece que assumimos compromissos, também. E eu isso já nem vou discutir, meu amigo. Sempre ouvi dizer que quem assume compromissos, deve cumpri-los (pode-se é discutir como é que se cai assim nas dívidas, mas isso falo contigo na próxima carta). E pronto, eu acho muito bem, paguemos, então! Mas espera lá! Eu não pedi dinheiro a ninguém! Ou será que pedi? É que dizem os gajos que foram agora eleitos, Cavaco incluído, que andei a viver acima das minhas possibilidades estes anos todos. Acaso já te falei neles, já sabes quem são?

Lembras-te do governo de quando ainda cá estavas? É mais ou menos a mesma merda! Até o Portas está lá outra vez! Mas olha que estes gajos não são sequer políticos, a mim não me enganam eles. Que são políticos, que são isto e aquilo. Eu é que já os topei! Estes gajos são mas é uma comissão de liquidação. O país foi à falência e ninguém quis assumir. E agora os credores foram colocados a administrar isto, para vender tudo por tuta e meia para recuperar algum. E adivinha? Isto é mesmo como nas empresas. Primeiro, os bancos e afins, depois o Estado, fornecedores e se sobrasse algum, lá iria para os trabalhadores. E é isto que ainda hoje não entendo. Mas porque há de valer o dinheiro dos bancos mais do que o meu? E vê lá que até conseguiram meter na cabeça de muito boa gente que isto é verdade. Que andámos mesmo a viver acima das nossas possibilidades.

Mas ora pensa lá comigo. Diz que foram os bancos que arrastaram o mundo para esta crise, certo? E diz que muita gente fica a dever dinheiro aos bancos, de empréstimos que pede, certo? Mas conheces algum banco que tenha ido à falência por causa do crédito mal parado? Porque é que tenho a ideia que todos os bancos que faliram foram por gestão criminosa? E que os outros continuam com lucros monstruosos? E porque é que a banca não há-de ser uma actividade económica de risco como outra qualquer? O Antunes, o da Tasca, também levou aquilo à falência e ninguém lhe botou a mão. E o Amorim, o que vende vinho, ficou a arder com 600 euros em garrafões de palheto e olha, nunca mais os vê. Não há ninguém do Governo a comprar a tasca ao Antunes, a pagar os 600€ ao Amorim, a descobrir lá mais dívidas de 15 em 15 dias, a por os contribuintes a pagá-las, a gastar o suficiente para tornar a Tasca num restaurante de 3 estrelas Michelin e depois a vendê-lo por meio tostão aos angolanos. E porquê? Qual é a diferença? Onde é que ele contribuiu menos para o país que o BPN, se no BPN nem bifanas como as da mulher dele se serviam? É isto que não entendo, meu amigo. E é assim por todo o lado. Para ir à terra, agora já pagas e pagas bem, que as SCUTs já não são SCUTs. Queres ir para Sendim pela Auto-estrada, pagas os olhos da cara. E a Estrada Nacional está a vergonha que tu sabes, não teve um pingo de alcatrão novo desde que te foste embora. Ainda na última vez que lá fui atropelei três cabritos a desviar-me de um buraco. Vá lá que foi na Páscoa, mas imagina se era no Natal? Tinha que os congelar e não tenho arca para aquilo tudo. Diz que o filho do Moreira, aquele pastorzito, é que saiu uma vez de manhã com o gado e nunca mais apareceu. E agora que me lembro, foi mais ou menos desde essa altura. Bom, adiante.

E os hospitais? 20€ para ir a uma urgência no hospital! 20€!!!! Por 20€, vou ver o Benfica e ainda bebo uma imperial e como um courato. E fico bem mais bem-disposto, do que quando estou doente. E seja na saúde, seja nas estradas, a história é a mesma. Pagas, e bem, (em muitos sítios a privados) e depois estes ainda mandam as facturas com as despesas para o Estado. Olha lá os hospitais “publico-privados” e as estradas concessionadas? A parceria é justa, há divisão clara no que cada um faz: o público paga, o privado recebe, para não sobrecarregar ninguém a fazer tudo. Só para veres, havias de ver o berreiro que os das escolas privadas fizeram quando, há coisa de ano, ano e meio, o Sócrates disse que lhes ia fechar a torneira: “Ai, valha-me deus! Isto é uma desgraça! Belzebu!”. Foi para lá este governo e é vê-los todos caladinhos. Nunca mais ninguém os ouviu, desde que lhes foi garantido dinheiro para os próximos 5 anos. Mas, e dinheiro para o ensino público? Viste-lo? Nem eu… Pararam obras nas escolas, acabou-se lá com aquilo das Novas Oportunidades. E logo agora, que eu já estava com ela fisgada para acabar o 8º ano num instante!

E é como eu te digo, meu amigo. Estou farto. Farto de não ser ninguém para o que interessa, mas sentir que tenho o peso todo em cima dos ombros quando toca a pagar o que alguém gastou ou distribuiu mal. Este ano, havias de ver a tristeza que foi o Natal. Levou já tudo uma talhada de não sei quantos por cento no subsídio de Natal (e não sei mesmo quantos, porque nem consegui perceber com as contas que eles arranjam para nos baralhar). Pode ser que não acredites, mas viu-se que toda a gente cumpriu o Natal por frete. E o Ano Novo a mesma história. E para os próximos dois anos, funcionários públicos nem vêm um subsídiozito que seja. O problema é que o dinheiro todo que esta gente vai dar, mal dá para pagar o fogo-de-artifício na Madeira, que o cabrão do Alberto João continua a mandar, para inaugurar estradas que não vão para lado nenhum. E já deves ter adivinhado, mas a corja do Governo é da mesma cor do gajo, nem preciso de te dizer.

E agora já deves estar a perguntar: “Alto lá, Dani! Então, tu já me disseste que a Madeira ainda é PSD, que o Governo é PSD e que até o Presidente da República é o Cavaco! Mas estão-se a queixar do quê?”. E aí tens razão, meu amigo. Já nem me quero queixar mais. Triste povo este, que gosta de levar chibatadas, sejam na carteira, sejam no lombo. É por isso que isto chega para mim, que quero ir para ao pé de ti. Seja lá para onde for. Se vires aí um buraquinho para trabalhar, a servir num café que seja, ou na lavoura, conta comigo. Dizem-me que lá fora também está mau e que também está tudo a sofrer cortes. E eu bem sei que é verdade. Mas a fazerem-me cortes em 3000€ de ordenado passava eu bem melhor do que passo agora.

(Diz que carregando na fotografia, há um link para um vídeo, lindo, por sinal! Diz que isto está assim porque eu não sei por vídeos com uma imagem exemplificativa aqui no blogue..)

Danidapenha