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Política Nacional

A quase extinta e desmantelada RTP2 saiu-se, neste 25 de Abril de 2012, com um excelente documentário de 48 min chamado “Donos de Portugal”, baseado num livro homónimo publicado em 2010.

O documentário identifica e segue a oligarquia plutocrática portuguesa que se formou no século XIX e que sobrevive, melhor: prospera, até hoje sob os auspícios e protecção do Estado. Os produtores deram-se ao trabalho de criar um mapa geneológico que relaciona estas famílias e que assegurou que ao longo das décadas a sua riqueza e poder económico não só se mantivessem intactos como crescessem exponencialmente, apesar de pequenos soluços como o 25 de Abril.

O documentário analisa como estas famílias tiveram relações priveligiadas com todos os regimes políticos do século passado e corrente e fala abertamente do fenómeno “revolving door”, através do qual detentores de cargos políticos se tornam gestores de grandes empresas monopolísticas e vice-versa.

Com maior interesse para a situação actual, o documentário dedica a última meia hora ao período pós 25 de Abril, com especial ênfase nas privatizações que começaram em 1982 com a revisão constitucional, a candidatura à CEE e abertura ao centralismo de Mário Soares. O que o documentário mostra é que as privatizações correspondem ao uma apropriação sem limites de bens e rendas públicas por um número de famílias oligárquicas muito reduzidas e que este processo foi apoiado e financiado pelo próprio estado, ao mesmo tempo que esta rede de instituições (bancos, EDPs, Sonae, etc etc) entrou cada vez mais no mercado de produtos financeiros e se endividou brutalmente, o que criou, de facto, a dívida pública portuguesa. O Estado socializou os custos da banca e transferiu-os para o orçamento nacional.

Um documentário absolutamente essencial para perceber a situação em que vivemos e para ir além das narrativas dominantes que culpam o zé povinho pela crise. Saber e conhecer é já uma forma de acção política.

O site do documentário: http://www.donosdeportugal.net

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Portugal vai mesmo à falência. Mas creio que pelo caminho, Passos & Companhia vão roubar o país de tudo o que tem.

Portuguese Liquidity Trap: When You Add Too Much Liquidity To F.I.R.E. It Burns!

Reggie Middleton, do blog boombustblog.com

Artigo original publicado a 12 de Março de 2012

In this followup to Greece Is Trying To Convince Portugal To Make F.I.R.E. Hot I think we should get straight to the point – Anyone who doesn’t believe that Portugal is clearly set up to for a bond route, and that it is seriously considering a default is either lying to themselves, believe human nature has changed, and/or really hasn’t bothered to review the math. Here’s proof of a Portuguese default presented with logic, numbers and pretty colorful graphs. The full spreadsheet behind all of the calculations, scenarios, bond holdings and calculations can be viewed online here (click this link) by professional level subscribers. Click here to subscribe or upgrade.

For one, we are on up to the 3rd Greek Bailout (Portugal has only received one hence it could be getting envious:-)). Portugal has had extreme austerity measures inflicted upon it. So extreme that it has materially and significantly depressed the economy. Portugal’s GDP growth contracted even further by 1.3% q/q in Q4. Its HICP Moderated to 3.4% y/y in January. Very high unemployment (currently at 14% and rising), weakening wages, and a total dearth of credit to businesses and households (do you really think bond-busted banks are lending to and within Portugal like the good ‘ole days) will lead to a downward spiraling self-fulfilling prophecy that is the antithesis of what appears to be driving all of those rosy estimates behind reports that Portugal won’t default. I do mean rosy, see Lies, Damn Lies, and Sovereign Truths: Why the Euro is Destined to Collapse! for examples. Let it be known that instead of growing the economy out of the doldrums, Portugal’s austerity measures will push it down the drain.
It’s gotten so bad that even the rating agencies are on board the truth train (Rating Agencies vs Reggie Middleton, Part 3). After Moody’s downgraded Portugal, all three major agencies have it at junk, of course a year later than said information would have been useful. The massive liquidity injections by the ECB have prevent the market from imploding, but has also failed to rectify the problem, rather they simply feed the appetite of an addicted pig in the form of banks and sovereigns that rely on cheap/free money without the requisite market disciplines of risk wieghting and respect for the cost of capital.

Due to total reliance on funny munny from the ECB, required due to the lack of external financing avialable from the markets (unless Portugal defaults/restructures and starts from scratch, which is inevitable anyway) the Portuguese machine will still be in arrears accumulation mode – a mode which is essentially unsustainable.

Despite what I see as practically unassailable facts, the MSM is still steadfastly and unrealistically bullish, as per Bloomberg, Portugal Bond Rout Overstates Greek Likeness. Well, the Portugal Bond Yield is at 13% Despite Greek Deal – that’s right, the 3rd Greek deal and one that include 74% haircut!!! Portugal will default/restructure and there’s a very, very strong chance that right behind them will be Spain and then Greece again. That’s right, Greece, again!

Who was right about the Greek default, running against the consensus two years ago? See 2010 posts – Greek Crisis Is Over, Region Safe”, Prodi Says – I say Liar, Liar, Pants on Fire! and then A Comparison of Our Greek Bond Restructuring Analysis to that of Argentina. In The Anatomy of a Portugal DefaultA GraphicalStep by Step Guide … I walked through the financial tangle that is Portugal about two years ago, as excerpted.

This is the carnage that would occur in the OPTIMISTIC if the same restructuring were to be applied to Portugal today.

Yes, it will be nasty. That 35% decline in cash flows will be levered at least 10x, for that is how much of the investors in these bonds purchased them. A 35% drop is nasty enough, 35% x 10 starts to hurt the piggy bank! As a matter of fact, no matter which way you look at it, Portugal is destined to default/restructure. Its just a matter of time, and that time will probably not extend past 2013. Here are a plethora of scenarios to choose from…

This is Portugal’s path as of today.

Even if we add in EU/IMF emergency funding, the inevitability of restructuring is not altered. As a matter of fact, the scenario gets worse because the debt is piled on.

Well, I took said model and updated it with recent historical GDP results as well as projections which incorporated the most recent developments. Do you think things look better or worse?

This is what Portugal’s situation looks like today…

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The Portuguese bond yield has spiked since the Greek deal. Methinks Mr. Credit market (who is much wiser than Mr. Eqiuity market, probably due to the increased difficulty in manipulating Mr. Credit’s demeanor) seems to agree with Reggie…

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These are the Portuguese bonds used in the calculations. Professional subscribers can access the full model and all of the stuff that went into it via the link at the bottom of this article – Introducing the Not So Stylish Portuguese Haircut Analysis.

Neste artigo limitar-me-ei a dar o palco ao Sr. Michael Hudson, professor de economia na Universidade do Missouri (Kansas City), um dos poucos centros académicos nos Estados Unidos a tentar incluir no debate sobre a crise actual a Modern Monetary Theory, cujos princípios são em muito contrários à banha de cobra que o neoliberalismo, através do FMI, da Comissão Europeia e  do BCE, quer impôr na Europa.

Michael Hudson está também associado ao Levy Institute of Economics (já referenciado neste blog) da Universidade Bard (2 horas a norte de Nova Iorque), e que se distingue por um pensamento económico ligeiramente mais progressivo do que as correntes que dominam os discursos oficiais.

Temos então dois vídeos sobre o tema da escravatura da dívida e expropriação:

1. Nesta entrevista, Michael Hudson explica como as políticas da troika se destinam a proteger a posição dos dententores de capital (sector bancário de investimento) em relação ao resto da população, resultando numa redistribuição de riqueza de baixo para cima da pirâmide social. Analisa os particulares da situação europeia e dos PIIGS e compara-a com anexação territorial e ocupação militar, já para não dizer roubo. Uma das ideias chaves é que a austeridade resulta num falhanço inevitável nas metas de consolidação fiscal e orçamental, o que “obrigará” os Estados a alienar património a preços de pechincha (TAP, EDP, Águas e Saneamento, etc etc etc).

2. Este vídeo é a palestra que Michael Hudson deu recentemente em Berlim. Nos primeiros dez minutos faz uma resenha da actual resposta política e económica que tende a piorar a situação (expropriação da população para pagar aos bancos) e dá 3 possíveis e simples soluções para travar o sistema oligárquico sob o qual vivemos hojem em dia no mundo ocidental.

Finalmente, para os mais interessados, podem ler o paper que está na base desta palestra neste link.

Como exemplo da vida real do que as palestras em cima explicam, vejam este vídeo do despejo de um casal de idosos na Irlanda pelo Anglo Irish Bank, por falta de pagamento do empréstimo à habitação. Agora, levem em consideração que o Anglo Irish Bank foi resgatado pelo governo irlandês usando o dinheiro dos contribuintes, mais precisamente 34 biliões de euros. De uma forma sádica, e no que é praticamente um assalto à mão armada (pela polícia, pelo Estado e pelo banco), este casal de idosos é expropriado da sua casa por um banco que ajudaram a salvar com os seus impostos!

O Romântico Euro
O Romântico Euro

A Situação

A Austeridade é uma política pública desastrosa. A taxa de desemprego europeia (na zona euro) está em 10.8%. O que corresponde a um recorde de 13 anos e a um total de 17.1 milhões de desempregados. Nas economias germânicas, Austria e Alemanha, a taxa anda nos valores mais baixos (4% e 6% respectivamente), enquanto que nos países PIIGS, que estão activamente a implementer medidas de repressão financeira, a taxa de desemprego está dos 15% para cima. Leve-se ainda em consideração que há muitos sinais suspeitos que fraude nos números de desemprego é generalizada e existe até na Alemanha (ver este artigo).

Desemprego na Zona Euro

Os doutores da austeridade irão argumentar que isso se deve à falta de competitividade das economias do sul. E até pode ser, em termos de indicadores económicos. Mas as razões vão mais fundo. Como Richard Seymour argumentou no artigo que aqui re-publicámos, a situação actual de produtividade revela um canibalismo intraeuropeu em que a Alemanha (e potências associadas) cresce à custa das economias mais fracas, numa tendência que começou mais visivelmente nos anos 90 quando a Alemanha tomou medidas para suprimir salários (baixar os custos) e a procura interna (mantendo a inflação em baixo, logo os custos macroecómicos) e reorientar a produção, não para consumo interno, mas para os mercados de exportação.

Isto são precisamente o tipo de políticas económicas que o Passos defende e que a Merkel dita. O objectivo da Austeridade é reprimir as economias. O problema é que não há necessariamente crescimento, nem a longo prazo. Porque a Alemanha precisa de usar o instrumento da dívida de países como Portugal para financiar a procura externa dos seus mercados de exportação. E usar a dívida permanente como instrumento de controlo político significa que Portugal não se consegue livrar da escravatura da dívida que lhe é imposta, assegurando um futuro brilhante e expansionário à economia alemã (â custa de Portugal e outros PIIGS).

E a curto prazo, como já temos batido constantemente na tecla, a austeridade conduz à contracção acelerada da economia com contracção imediata do PIB e aumento dos níveis de privação da maioria da população, porque o Estado está basicamente a tirar riqueza de circulação e distribuição (ou melhor, a tirar riqueza e a distribuir para cima, em vez de para baixo, da pirâmide social).

E se prova querem de que esta crise austeritária se trata realmente da Alemanha a tomar controlo da zona euro e respectivas economias para seu benefício, só há que ver, por exemplo, o que aconteceu recentemente. O primeiro ministro grego já pôs na mesa a hipótese de um 3º resgate, porque as eleições estão aí à porta, e é preciso que os alemães façam chover dinheiro para garantir que um governo amigável e pró-colonial seja eleito. Entretanto, possivelmente, as exigências austeritárias sobre a Grécia vão diminuir e o dinheiro (ou parte dele) do resgate será colocado numa conta segregada, à qual o governo grego não terá acesso, e que servirá para pagar imediatamente aos credores (leia-se bancos alemães que financiam a procura externa à indústria alemã, bancos franceses e o BCE).

Germany, after ‘trapping’ many countries in the e-Zone ignored their situation while Germany continues to post increasingly lower-than-required rates of inflation as many in EMU ahve run higher rates. As a result of this, there is a huge competitiveness conundrum in the Zone. It seems to have been engineered by Germany-and they are great engineers. (…)

What allows the US to to maintain a union that has areas of vastly different real income, property values, etc, is its fiscal transfer system. Germany instead of dealing with today’s issues, and assisting with development (instead of just bail-out bucks) wants to roll the clock back and set up what I have called a Bento-box view of Europe in which GERMANS will be made safe as each member of EMU will have its own mandated balanced budget and will be put in a Germanic-like straight jacket of fiscal responsibility. Hey that sounds like fun!

The Euro zone is NOT the German Zone. It was not formed and does not exist for the benefits of Germans. But as Germany is in a position of power it is now trying to bend every EMU nation to its way of doing things. This widespread use of austerity is foolishness. You may denigrate ‘Keynesianism’ a term that is such a cartoon and straw-man that it has no meaning, but austerity in the midst of recession is tomfoolery!

If policy were geared for the average EMU country the Zone would be quite different. But it is not; it is geared for Germany making everyone else much worse off relative to Germany. Instead of having a zone with most members tightly clustered around the average with Germany and Greece as outliers we have a policy that is being run for one extreme of the Zone – Germany! (Zero Hedge)

Eis o mesmo tema abordado em entrevista ao Francisco Louçã na Real News Network, fazendo a ligação também aos interesses financeiros-banqueiros e de como a dívida é uma forma de escravatura moderna (em Inglês):

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Uma possível solução usando a Modern Monetary Theory

O Instituto Levy de Economia da Universidade de Bard (EUA) publicou um pequeno paper publicitanto uma ideia nova: Títulos de dívida pública que, caso o Estado não possa pagar de volta, se transformam automaticamente em créditos fiscais. Ou seja, se eu tiver  100 euros em títulos de dívida pública e tenho que pagar 150 euros de imposto este ano, posso usar os meus títulos para amortizar essa dívida, ficando apenas a dever 50 euros ao Estado a ser pagos de forma tradicional (via transferência monetária).

Este conceito está alicerçado no facto de que o que dá valor ao dinheiro de papel hoje em dia, em que já não existe o padrão-ouro, é:

  1. a capacidade do Estado em recolher impostos. Ou seja, o valor de uma nota está garantido pela capacidade de taxação e não por directa associação a nenhum recurso raro e preciso (o ouro).
  2. A possibilidade de pagar esses mesmos impostos usando a moeda de papel reforça o seu valor monetário (uma lógica ligeiramente circular, mas é tema para outra discussão)

Assim, os títulos de dívida publica transformar-se-iam numa forma parelela de moeda, permitindo basicamente aos PIIGS emitir moeda de novo sem sair da zona euro e dando-lhes mais instrumentos para se financiarem a curto prazo. Os problemas estruturais continuariam, mas pelo menos haveria espaço para considerar políticas alternativas e atenuar o impacto da crise na população. A questão é se a Alemanha permitirá este esquema. Se este sistema funcionasse, a Alemanha perderia de imediato muito do seu poder, se bem que a curto prazo isso permitir-lhe-ia continuar a usufruir de um mercado de exportação rechonchudo.

O artigo explicando os pormenores desta proposta pode ser lido aqui.

Links

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O danidapenha há de escrever-vos em breve sobre os “acontecimentos” ocorridos na manifestção da plataforma 15 de Outubro aquando da nossa última greve geral. Irei aproveitar o tema para reflectir sobre “o fascismo é uma minhoca que se infiltra na maçã”.

Para além de considerar o Sérgio Godinho um vendido que aproveitou o PREC e a altura em que ser de esquerda era moda, esta e outras músicas compostas pelo dito cujo (e outros) tiveram e têm valor, independentemente da vergonha que lhe(s) possam causar.

Como já anteriormente tem sido aqui referido neste blog, aproximamo-nos de uma espécie de regime muito semelhante ao fascismo salazarento com que o Estado Novo nos presenteou em Portugal.

É claro que há muitas diferenças. Não temos que pagar uma licença para ter um isqueiro e podemos estar na conversa com mais de três amigos em público sem que o SIS nos peça identificação. Ah! E também já não há essa merda da guerra colonial pá, um chatice onde morria gente. Ah! E também existe a liberdade de existirem partidos, de nos filiarmos a eles, de votarmos neles e de contribuirmos todos para “estabilizar essa destabilização filha da puta”.

Este aparente estado de liberdade não é sinónimo de democracia. Democracia é um conceito demasiado abstracto para debatermos neste blog, liberdade será demasiado abstracto para debatermos em toda a internet.

A direita representada no governo e no maior partido da oposição foi a favor do pedido de empréstimo (ou “ajuda”) à Troika composta pelo FMI / BCE / UE). Sabiam que, a partir dessa altura, Portugal iria perder a pouca soberania que lhe restava derivada da adesão a CEE e ao Euro. Não foi à toa que a esquerda do PS foi unânime na oposição aos tratados que vinculavam Portugal a estes sistemas político e monetário.

Aqui, não se trata de uma mera questão de “soberania nacional”, mas sim de uma exploração do capital financeiro mais rico sobre o proleteriado mais pobre. Calhou aos gregos, aos irlandeses, aos espanhóis (ontem também em greve geral) e tem calhado com menor intensidade também aos trabalhadores americanos, alemães e franceses, para não falar dos chineses. Menor intensidade, por enquanto.

Aqui,  trata-de de “pensarmos globalmente e agirmos localmente”. Não podemos ceder à chantagem de entrarmos em disputa com quem ganha menos de 1 dólar por dia e chamarmos a isso “competitividade”. É um retrocesso que nos remete aos tempos da Velha Senhora. E para quem ainda tem dúvidas do rumo que o neo-liberalismo está a galgar, é aparecer numa manifestação que não seja convocada pela CGTP. Não se esqueçam é de levar o capacete. Ou de se tentarem juntar a manifestação da CGTP sem terem um cartão com uma foice e um martelo. Porque a esquerda também parece ter muito que aprender.

P.S (com D ou sem D, já há muito tempo que tanto faz): Admito que só tenho pena que, na última manifestação, a Polícia só tenha espancado foto-jornalistas. O que nos impele a uma conclusão de que a PSP não está de todo perdida:  O foto-jornalista é mesmo obrigado a fotografar a realidade e isso para o sistema é inadmissível. Já deturpar a realidade, tarefa que quase todos os outros jornalistas cumprem a troco de um mísero salário mínimo, por muita pena minha não é uma pena punível com 7 cacetadas na cabeça.

Para quem ache que a Grécia está a roubar demasiada atenção a Portugal nesta crise de dívida externa, alegre-se! Chegou a altura de Portugal

 As taxas de juto exigidas por potenciais compradores a de dívida pública portuguesa a 10 anos estão em quase 13%, mais ou menos o dobro a que estavam faz agora um ano (Março 2011). A Espanha, por comparação, tem agora as ditas taxas a mais ou menos 3,5%. E é suposto ser também um país em crise.

Ora, o que isto significa é que a malta que tem dinheiro (principalmente os bancos europeus que receberam dinheiro à borliu do Banco Central Europeu) recusam-se a investir em títulos de dívida portuguesa porque acham que o país vai cair na banca rota mais cedo que tarde. E não há medida nenhuma de austeridade que ajude o Passinhos a fingir que está a resolver seja o que for. Só está a piorar a situação. Deve ser uma estratégia para reduzir o valor nominal dos bens a privatizar – fazer a alienação de Portugal a preços de pechincha na feira da ladra.

 Segundo Edward Hugh, autor de frequentes análises macroenómicas bem fundamentadas em dados númericos e economista de referência no mundo internauta, Portugal tem basicamente uma dívida pública e privada astronómica que não consegue pagar com o crescimento de caracol que tem (e que a austeridade transformou em recessão e crescimento negativo). Se não há crescimento não há criação de riqueza suficiente para pagar as dívidas acumuladas tanto no sector privado (através de lucros) como no sector público (através de impostos).

 Tal como 1+1=2, o que resulta do acima dito é que portugal vai à bancarrota. A data prevista de momento é setembro de 2013, altura em que o país tem pagar de volta 9.3 biliões de euros (9.3 mil milhões, ou 930 000 000 000) aos seus credores de uma só assentada.

 A situação em 2011 só foi salva pela transferência dos fundos de pensão do sector bancário para as contas públicas, mas isso foi um truque que não se poderá repetir. Sem isso, a performance austeritária do Passinhos teria sido bastante pior, e o FMI está bem ciente disso. 

That is to say the Fund has a double role here – to talk the efforts of the Portuguese administration up before the world’s press, and to try and keep the politicians in line in the background.

 O que se está a passar, muito provavelmente, é que a depressão causada pela austeridade vai afectar a criação de lucro e receita fiscal, tornando-se impossível atingir os níveis de receita previstos para um certo défice, levando por isso o Governo a implementar mais cortes (austeridade), numa espiral suicida da economia e do país. E mesmo assim os tais alvos de défices não serão atingidos. Portugal irá à falência.

 Mas a sitação não se trata apenas através do lado da receita. O nosso querido Estado de mercados livres conseguiu em 2011 gastar mais do que o previsto em empresas estatais e nas famosas parcerias público privadas. Ou seja, pode-se cortar na pensão dos reformados, mas mantêm-se os subsídios à grande e à francesa para os amigos empresariais e para coisas como a Lusoponte, que recebeu “dupla creditação” pelas portagens de Agosto de 2011. Como indicação Hughes calcula que o Estado português tem uma exposição à dívida das PPP de 14% do PIB e que todos os anos gasta 1% do PIB a pagar as taxas de juros das dívidas das PPP. Junta-se o insulto à injúria! Obrigado, Passinhos!

 Assim, a situação não está mesmo nada boa para 2012. Estimativas apontam que a economia privada em Portugal em 2011 gerou uma dívida privada de 3.5% do PIB (possivelmente semelhante em 2012) ao que se deverá acrescentar o estimado bailout do sector financeiro português (chamado de recapitalização) para 2012 de 4.7% do PIB!!!

 Que grande forrobodó!

 As perspectivas a longo prazo também não são melhores. A economia portuguesa tem estado em decadência faz 10 anos, as previsões do FMI não são melhores a longo prazo com médias de 2% de crescimento, temos uma população a envelhecer e os jovens a emigrar por causa da crise. De uma forma inesperada, Hughes mostra como a Hungria já implementou todas as medidas de supressão salarial no sector público que Portugal está agora a implementar e que isso teve impacto zero no crescimento (possivelmente porque reduzir os salários dos empregados públicos em nada melhora a “produtividade” da indústria e exportações portuguesas, ao mesmo tempo que reduz procura interna). De qualquer forma, da nossa perspectiva é errado baixar salários para aumentar competitividade, numa corrida para o fosso entre nações em crise, enquanto se preservam lucros de grandes empresas e mafias partidárias.

A conclusão é que o país está agora no ínicio de uma década deflacionária, com queda de rendimentos e níveis de vida. Quando Portugal emergir da crise daqui a 10 anos será em geral um país consideravelmente mais pobre e provavelmente com possibilidades de crescimento limitadas. E se hoje em dia já não é rico…

 Entretanto, na Grécia, continua a ocupação Alemã:

Lucas Papademos in place and have him “request” that Germany reoccupy Greece. Papademos is not elected. He is in power because his elected predecessor, George Papandreou, announced that Greece would hold a plebiscite on whether to agree to the terms of a deal on Greece’s sovereign debt that would have the effect of surrendering Greece’s remaining sovereignty and consigning the Greek people to an even deeper depression. The inevitable German reaction to the plebiscite was: Democracy in Greece – inconceivable! Germany threatened to destroy Greece’s economy if there were a plebiscite. Germany’s extortion led to the collapse of Papanderou’s elected government and Papademos’ appointment as Greece’s de facto prime minister.

 Vale a pena ler o artigo inteiro que analise a crise europeia a partir da Modern Monetary Theory (uma espécie de neo-keynesianismo), que é neste momento a maior e melhor alternativa aos dogmas económicos de Bruxelas e Berlim e uma possível arma de libertação nacional.

Fontes e Links EconoMonitor & Zero Hedge & Naked Capitalism

PS: Outro PIIG a sair-se mal com a austeridade e com a autosabotagem económica é a Irlanda.

PPS (Conselho): Esta é uma boa altura de correr ao vosso banco e perguntar aos servos-da-finança que aí trabalham como podem aplicar o vosso dinheiro (se tiverem algum) em ouro de investimento. É isso que os bancos centrais do mundo estão a fazer, porque já ninguém acredita muito em dinheiro feito de papel. E agora é uma boa altura porque os preços do ouro caíram ligeiramente. Parece ser uma das poucas formas existentes de preservar as poupanças, se as tiverem!

Este javardo aumento das taxas moderadoras vai afastar gente dos hospitais. É inegável. Tal como o dos transportes afasta pessoas dos autocarros e metro, tal como o das propinas afastou gente das universidades, tal como o de tudo afasta gente de Portugal.

Hoje, o que me traz aqui é a saúde. Porque já diz o povo, é preciso é tê-la, porque o resto lá virá por acréscimo. Ou pelo menos, no tempo em que o povo sabia o que dizia, era assim. Hoje já se percebe que o resto, trabalho e dinheiro pelo menos, cada vez mais dificilmente vêm a cada um de nós. E sem dinheiro, até o raio da saúde pode ser descurada.

Na passada semana, acossado por um problema menor, lá me deixei levar ao hospital. Por absurdo, e prova de como, pelo menos a mim, este desprezo pela saúde pública por parte do Governo já me inverteu o raciocínio, a ida ao privado foi logo a primeira hipótese. Apesar da longa espera a que fui sujeito, verdade seja dita, é que após ser atendido, em menos de nada me  estavam a ser chutados litros de soro para a veia, juntamente com um ror de drogas, enquanto fazia uma bateria de análises. Resultado disto, diagnóstico feito e recuperação em cerca de 2 ou 3 dias. Tudo isto pela módica quantia de 37€ (à parte o pagamento do seguro, mas isso é questão para outras linhas que não estas). Enquanto cliente, e sabendo que na concorrência (os hospitais públicos, portanto) me seriam cobrados de imediato 20€ e, provavelmente, haveria grande resistência à realização de terapêuticas e diagnósticos complementares por contenção de custos, só posso estar satisfeito. E é com isto que me entristeço e preocupo. Também na saúde, os impostos que pago de pouco ou nada servem. Para pagar 20€ para entrar num hospital público, ao menos que tivesse direito a uma bebida branca ou a duas cervejas.

E se eu, por sorte, ainda me posso dar ao luxo de fazer esta escolha, pagando duplamente por um serviço que devia ser público (para não dizer gratuito), não pode a minha consciência ficar tranquila sabendo da mossa que 20€ causam na maioria dos orçamentos familiares, para mais acrescidos dos custos de exames complementares, mais transporte, mais medicamentos, mais eventuais baixas.

Este javardo aumento das taxas moderadoras vai afastar gente dos hospitais. É inegável. Tal como o dos transportes afasta pessoas dos autocarros e metro, tal como o das propinas afastou gente das universidades, tal como o de tudo afasta gente de Portugal. O problema é que aqui, as consequências podem ser bem mais graves. A pequena dor passa a infecção, o desconforto é mais grave do que se pensava, o caroço que não é nada, é um tumor que precisava de ter sido detectado mais cedo. E tudo isto porque na hora de ir ao hospital, podemos ter de pensar se os 20€ não darão mais jeito para comer até ao fim do mês.

Mas enfim, compreende-se que se deva pagar e bem por estes serviços. É preciso é que não falte para as Parcerias Público-Privadas, que não falte para os gestores e empreiteiros ligados à Parque Escolar, que não falte para a Lusoponte, que não falte para o capital chinês e para o sultão de Omã, que não falte para o BPN, que não falte para os agiotas alemães. As mais de 1000 pessoas que morreram “a mais” neste período, são só isto, quatro dígitos e dos de menor valor, por sinal. Não são amigos e compadres que podem garantir emprego a este séquito governamental todo, após os 4 (ou 8) anos que irão estar, como o povo também diz, no “poleiro”.

Na minha perspectiva, a saúde pública, já foi. Entregá-la àquele que foi o merceeiro-mor da nação durante vários anos, e que, ainda para mais, foi ex-administrador de um dos grupos que mais lucra com a eliminação da concorrência do Estado na área da saúde, só podia dar nisto. Aceitam-se apostas para o próximo ataque aos serviços públicos. A minha é esta: Segurança Social. Estará para breve, temo.

(Literalmente) PS: Diz o Seguro que este é o Primeiro-Ministro socialmente mais insensível da história da democracia portuguesa. Só não concordo com ele a correr, por duas razões. Por ser quem é, e porque a concorrência para este troféu tem sido feroz desde há largos anos. Mas que temos concorrente de peso em Passos Coelho, ai lá isso temos.