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No meio de toda esta confusão, fico feliz por se manter a reunião entre PCP e BE, mas não deixo de lamentar a tentativa de aproximação do BE ao PS.

Pela primeira Imagevez concebo a ideia que esta seja uma altura para, literalmente,nos deixarmos de merdas. Não me choca que o PCP procure entendimentos com o BE. Por mais que as desavenças entre os dois partidos sejam fracturantes, é inegável que no quadro parlamentar português estas são as duas únicas forças de esquerda e “anti-troika”, facto que é, possivelmente, o grande definidor de posicionamento político actual.

Apesar do risco desta posição do BE, pode-se até admitir que acabou por correr bem. Caso restasse alguma dúvida, o PS viu-se forçado a posicionar-se e, como sempre, este posicionamento é inequívoco. O PS é um partido que mais depressa se senta à mesa do banquete do poder, para planear a destruição e divisão dos despojos do Estado Social, do que se assume como alternativa de esquerda. O PS é o partido onde várias vozes se mostram dispostas a “malhar no PCP ou no BE” e outras tantas namoram sem grande pudor o CDS. É o partido que diz que o combate ao PCP “é tão ou mais importante” que o combate à direita. E isto é a face visível do que diz o PS, porque bem mais claro fica o seu posicionamento se analisarmos os seus anos de governação.

Perante isto, parece-me que encontrar posições, discursos ou até acções comuns à esquerda, sem o PS, não é sectarismo. É luta. É a acção natural de quem não está do mesmo lado, de forças políticas que não representam claramente as mesmas franjas da população. Pena que o BE tenha precisado de mais este triste espectáculo para o entender. Se é que o entendeu em definitivo.

Agora, deve ser tempo de avançar. De assumir que há uma alternativa ao caminho que o país leva há décadas e de convencer os eleitores que não, nos últimos 35 anos nunca tivemos em Portugal um governo de esquerda, logo nem todos são culpados, nem são todos iguais. Num país com uma brutal iliteracia política e tendencialmente de direita, não é tarefa fácil. Mas também não pode ser impossível, raios!

Não, não é uma composição de um qualquer puto da 4ª classe. Foi mesmo um texto de um tipo que, entre outras coisas foi Chefe do Gabinete do Secretário-Geral do Sistema de Informações da República Portuguesa e, mais tarde, Director-Geral do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa… tão só!

Pronto, agora, vou só por som no telemóvel e esperar a chamada do Relvas a avisar-me que ou me calo ou nem ele, nem os amiguinhos dele falam mais comigo no recreio, ou pior, divulga factos da minha privada..

É ver a notícia aqui.

ImageO tubo de ensaio da segunda vaga do neo-liberalismo foi a votos. A direita (Nova Democracia) ganhou as eleições sem margem para formar governo. O Partido Socialista (no governo aquando do primeiro pedido de resgate à Troika) foi o maior derrotado. Estes partidos que subscreveram os sucessivos acordos com a Troika tiveram o seu pior resultado de sempre. O maior vencedor foi  a coligação de partidos  da esquerda radical – Syriza – que teve a sua oportunidade de formar governo. Para isso delineou 5* pontos fundamentais de diálogo e encetou conversações com todas as forças políticas progressistas, fossem partidos, movimentos sociais ou sindicatos.  O Partido Comunista (KKE) recusou sequer reunir com a Syriza. Indepedentemente da resposta do KKE, não havia possibilidade aritmética da esquerda formar governo na Grécia.

De facto, o apoio popular que esta coligação teve (mais de um milhão de votos em dez milhões de eleitores) está longe de ser, do ponto de vista democrático, suficiente para servir de base para um governo representativo do programa político que apresenta. Outras forças progressivas de esquerda já chegaram ao poder no passado e foram depostas pela via dos golpes militares da direita com muito mais apoio popular que o da Syriza ou da esquerda grega no seu todo.

Qualquer governo de esquerda que surja neste contexto, com um programa político de ruptura com a troika, seja por via eleitoral ou de “tomada do palácio de inverno”, tem que ter uma base de apoio popular inequívoca. Para as próximas eleições, não basta sacar votos a outros partidos de esquerda (ou de direita), mas sim de disputar e conquistar principalmente o apoio das pessoas que estão descrentes deste sistema político, ou seja, da abstenção. Com base num programa claro e transparente – o que a Syriza tem cumprido, e bem. Também porque é contra o actual sistema eleitoral que garante 50 deputados automaticamente ao partido mais votado.

O futuro da Grécia é o futuro de Portugal e da Europa. Justifica-se tanto ou mais a constituição de “brigadas internacionais” para esta próxima campanha eleitoral grega como se justificou para a Guerra Civil Espanhola. A ruptura com a Troika é a única hipótese de se criar uma luz ao fundo do túnel. Não será fácil, mas o que o povo grego, português e irlandês tem sofrido também não tem sido nada fácil. Vale a pena o risco. Por eles, por nós, para eles e para nós.

À Syriza e às outras forças anti-troika resta ganhar as próximas eleições e ganhá-las bem. Nas urnas e nas ruas.

* Tradução do Nuno Moniz dos 5 pontos propostos pela Syriza para formação de um governo anti-troika:

1) Imediato cancelamento de todas as medidas pendentes de empobrecimento, como cortes nas pensões e salários
2) Cancelamento de todas as medidas pendentes que vão contra os direitos fundamentais dos trabalhadores, como a abolição dos contractos colectivos de trabalho
3) Abolição imediata da lei garantindo imunidade aos deputados e reforma da lei eleitoral (principalmente a questão dos 50 deputados bónus para o partido vencedor)
4) Investigação aos bancos gregos e imediata publicação da auditoria feita ao sector bancário pela BlackRock
5) Uma comissão de auditoria internacional para investigaras causas do défice público da Grécia, com uma moratória em todo o serviço de dívida até serem publicados os resultados da auditoria.

 

ImageA Marcha Global da Marijuana é um evento internacional anual, com origem em Nova Iorque em 1999. Hoje em dia conta com a participação de mais de 300 cidades espalhadas pelo globo. Em Lisboa, no dia 5 de Maio realiza-se a sua 7ª edição.

As razões pelas quais a defesa da legalização da canábis ganha uma acrescida importância em contexto de crise económica nem sempre serão óbvias:

Por um lado, teríamos a diminuição do tráfico que permitiria uma poupança de despesas que, (apesar da descriminalização) continua a ser desperdiçado na perseguição e estigmatização dos consumidores: em forças policiais, tribunais ou centros de dissuasão da toxicodependência.

Por outro lado com a legalização, teríamos um aumento de receitas para o estado através de impostos sobre o comércio ou licensas sobre o cultivo, uma economia geradora de emprego. O potencial da utilização de uma substância com capacidades terapêuticas e industriais cientificamente comprovadas há já muito tempo teria um impacto muito positivo na economia e na qualidade de vidas de muitas pessoas.

Mas não é apenas por razões económicas e medicinais que a legalização da canábis será uma medida justa. A substituição da política de guerra às drogas por uma política de responsabilidade e respeito pelo direito individual de cada um consumir o que quiser, desde que não prejudique o interesse colectivo, é urgente.

Um estado que não reconhece este direito a um cidadão é um estado que não respeita a liberdade do povo que o compôem e lhe dá significado, é um estado cuja matriz é composta por injustiça, preconceito, corrupção, ignorância e hipocrisia.

Esta é uma questão civilizacional. Será um erro pensar que o combate contra a Troika e a construção de uma alternativa passa por uma maioria que continue a ser proibicionista, sexista, homofóbica, racista, xenófoba ou desrespeitadora do ecossistema no qual está integrada.

Parafraseando o recentemente falecido mandatário da Marcha Global de Marijuana, Miguel Portas: “Se querem proibir alguma coisa, proíbam a guerra!”

Por estes motivos convoco todos e todas a estarem presentes no próximo sábado na Marcha Global da Marijuana. Contra a troika, na defesa da democracia, da liberdade, da criação de empregos: Contra crise, legalize!

P.S. Consta que Pedro Passos Coelho terá estado presente numa “Festa da Folha” promovida pelo BE há mais de 10 anos. Consta que o consultor, Presidente da JSD e Deputado Duarte Marques ande a bafá-las. Consta que a JSD e a JS subscrevem o manifesto pela legalização da canábis do movimento Marcha Global da Marijuana. Consta que nenhum deles está a mover uma palha para serem coerentes.

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O danidapenha há de escrever-vos em breve sobre os “acontecimentos” ocorridos na manifestção da plataforma 15 de Outubro aquando da nossa última greve geral. Irei aproveitar o tema para reflectir sobre “o fascismo é uma minhoca que se infiltra na maçã”.

Para além de considerar o Sérgio Godinho um vendido que aproveitou o PREC e a altura em que ser de esquerda era moda, esta e outras músicas compostas pelo dito cujo (e outros) tiveram e têm valor, independentemente da vergonha que lhe(s) possam causar.

Como já anteriormente tem sido aqui referido neste blog, aproximamo-nos de uma espécie de regime muito semelhante ao fascismo salazarento com que o Estado Novo nos presenteou em Portugal.

É claro que há muitas diferenças. Não temos que pagar uma licença para ter um isqueiro e podemos estar na conversa com mais de três amigos em público sem que o SIS nos peça identificação. Ah! E também já não há essa merda da guerra colonial pá, um chatice onde morria gente. Ah! E também existe a liberdade de existirem partidos, de nos filiarmos a eles, de votarmos neles e de contribuirmos todos para “estabilizar essa destabilização filha da puta”.

Este aparente estado de liberdade não é sinónimo de democracia. Democracia é um conceito demasiado abstracto para debatermos neste blog, liberdade será demasiado abstracto para debatermos em toda a internet.

A direita representada no governo e no maior partido da oposição foi a favor do pedido de empréstimo (ou “ajuda”) à Troika composta pelo FMI / BCE / UE). Sabiam que, a partir dessa altura, Portugal iria perder a pouca soberania que lhe restava derivada da adesão a CEE e ao Euro. Não foi à toa que a esquerda do PS foi unânime na oposição aos tratados que vinculavam Portugal a estes sistemas político e monetário.

Aqui, não se trata de uma mera questão de “soberania nacional”, mas sim de uma exploração do capital financeiro mais rico sobre o proleteriado mais pobre. Calhou aos gregos, aos irlandeses, aos espanhóis (ontem também em greve geral) e tem calhado com menor intensidade também aos trabalhadores americanos, alemães e franceses, para não falar dos chineses. Menor intensidade, por enquanto.

Aqui,  trata-de de “pensarmos globalmente e agirmos localmente”. Não podemos ceder à chantagem de entrarmos em disputa com quem ganha menos de 1 dólar por dia e chamarmos a isso “competitividade”. É um retrocesso que nos remete aos tempos da Velha Senhora. E para quem ainda tem dúvidas do rumo que o neo-liberalismo está a galgar, é aparecer numa manifestação que não seja convocada pela CGTP. Não se esqueçam é de levar o capacete. Ou de se tentarem juntar a manifestação da CGTP sem terem um cartão com uma foice e um martelo. Porque a esquerda também parece ter muito que aprender.

P.S (com D ou sem D, já há muito tempo que tanto faz): Admito que só tenho pena que, na última manifestação, a Polícia só tenha espancado foto-jornalistas. O que nos impele a uma conclusão de que a PSP não está de todo perdida:  O foto-jornalista é mesmo obrigado a fotografar a realidade e isso para o sistema é inadmissível. Já deturpar a realidade, tarefa que quase todos os outros jornalistas cumprem a troco de um mísero salário mínimo, por muita pena minha não é uma pena punível com 7 cacetadas na cabeça.